A viagem tinha uma regra que não podia ser quebrada: nada de solavancos, nada de curvas bruscas, velocidade sempre constante. Qualquer movimento em falso poderia custar a vida do passageiro. Na manhã desta sexta-feira (03), policiais rodoviários federais escoltaram pela BR-101 um golfinho que precisava atravessar cerca de 100 quilômetros entre Laguna e Florianópolis, e cada detalhe do deslocamento foi calculado para manter o animal vivo.
O mamífero, um macho jovem da espécie nariz-de-garrafa com cerca de 1,80 metro de comprimento, havia sido resgatado na quinta-feira (02), encalhado na praia da Cigana, em Laguna, no Litoral Sul catarinense. Fora da água, um golfinho enfrenta uma situação crítica: sem a flutuação natural do mar, o próprio peso do corpo pressiona seus órgãos, e a pele exposta desidrata rapidamente. Por isso, o conforto no transporte deixou de ser um cuidado e virou questão de sobrevivência.

A velocidade constante e a ausência de trancos serviram para diminuir o stress e a agitação do animal ao longo do percurso, ao mesmo tempo em que permitiam mantê-lo hidratado mesmo fora d’água. É nesse tipo de deslocamento que a escolta faz diferença: abrindo caminho na rodovia, a PRF garantiu que o veículo com o golfinho seguisse sem interrupções bruscas até o destino.
Antes de encarar a estrada, o animal passou por uma primeira etapa. Depois do resgate na praia, foi levado à Unidade de Fauna Marinha da Udesc, a Universidade do Estado de Santa Catarina, onde biólogos e veterinários fizeram a avaliação inicial das condições em que ele chegou.

Foi essa avaliação que definiu o passo seguinte. A equipe concluiu que o golfinho precisava de uma estrutura maior do que a disponível naquele momento, e determinou a transferência para a ONG Centro de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos, no bairro Rio Vermelho, em Florianópolis. O local conta com piscinas compatíveis com o porte do animal, espaço essencial para oferecer conforto e as condições ideais para a continuidade do tratamento.
A reabilitação, agora em curso na capital, deve durar cerca de um mês. Se tudo correr como o esperado, ao fim desse período o golfinho será devolvido à natureza, de volta ao mar de onde saiu encalhado. Até lá, segue sob cuidados da equipe que o recebeu no Rio Vermelho.



























