Ele apareceu sozinho na faixa de areia, magro a ponto de assustar, alternando o dia inteiro entre cochilos na areia e pequenos mergulhos perto da arrebentação. Quem passava pela praia de Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina, talvez nem imaginasse a gravidade do que estava diante dos olhos, mas os biólogos que chegaram ao local sabiam: aquele lobo-marinho-do-sul juvenil estava lutando para sobreviver.
O resgate mobilizou a equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), conduzido pela Univille, no sábado (27). A operação foi rápida, mas terminou da forma que a equipe mais temia.
O animal, um macho juvenil da espécie Arctocephalus australis, tinha apenas 86 centímetros de comprimento e pesava 9,3 quilos. Durante toda a manhã, ele foi observado pelos especialistas enquanto descansava na faixa de areia e fazia pequenos mergulhos próximos à costa.
Estado grave
Ao acompanhar de perto, os biólogos perceberam que o lobo-marinho apresentava um quadro severo de caquexia, caracterizado por extrema magreza, além de dois ferimentos na cabeça. Diante do estado debilitado, a equipe decidiu realizar o resgate e levá-lo para tratamento.
Apesar da agilidade dos profissionais, o animal não resistiu. Ele morreu pouco tempo depois de dar entrada na base de monitoramento da Univille, em São Francisco do Sul, gerando forte comoção entre os biólogos e veterinários que tentavam salvá-lo.

O que o exame revelou
No exame realizado pelos veterinários, foram identificadas alterações em diversos órgãos, indicando um estado avançado de debilidade. O lobo-marinho apresentava sinais compatíveis com pneumonia, gastrite, desidratação severa, catarata em um dos olhos e lesões simétricas na cabeça.
Segundo os especialistas, a suspeita é de que a morte esteja relacionada à síndrome migratória, agravada por um trauma. A condição costuma afetar animais que percorrem longas distâncias pelo oceano e chegam à costa já enfraquecidos.
O monitoramento das praias catarinenses segue em andamento, e a orientação dos biólogos é que, ao encontrar animais marinhos encalhados ou debilitados, a população não toque no bicho e acione imediatamente as equipes responsáveis.
























