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Pior El Niño em 150 anos? Santa Catarina se antecipa e decreta estado de alerta climático

Decreto assinado pelo governador Jorginho Mello tem 180 dias de validade e prevê decretação automática de emergência em até 24 horas se gatilhos como chuva acima de 80 milímetros forem confirmados

Pior El Niño em 150 anos? Santa Catarina se antecipa e decreta estado de alerta climático
Foto: Reprodução
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Santa Catarina entrou oficialmente em estado de alerta climático. O governador Jorginho Mello assinou nesta segunda-feira (18), na sede da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, em Florianópolis, o decreto que antecipa a mobilização do Estado diante das previsões de um El Niño que pode ser o mais forte em 150 anos.

A medida tem caráter exclusivamente preventivo. Conforme o decreto, o estado de alerta climático não configura situação de emergência nem calamidade pública, mas autoriza órgãos estaduais a se anteciparem com monitoramento, pré-posicionamento de equipes e liberação de recursos antes que as chuvas cheguem. A vigência inicial é de 180 dias, podendo ser prorrogada enquanto persistirem as condições meteorológicas desfavoráveis.

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O texto foi assinado também pelo secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, coronel BM Fabiano de Souza. Conforme meteorologistas da pasta, Santa Catarina vive um momento de neutralidade, mas a probabilidade de o El Niño se instalar entre julho e agosto chega a 80%.

A fala do governador

Desde o começo do governo estamos fortalecendo a Proteção e Defesa Civil, investindo em tecnologia, monitoramento, modernização das barragens e capacitação. O decreto é mais uma medida preventiva para garantir agilidade e proteger a população catarinense.

A frase é de Jorginho Mello, que classificou a assinatura como parte de uma política permanente de preparação adotada desde o início da gestão.

Os gatilhos automáticos

O ponto mais inovador do decreto está no que o Estado chama de gatilhos objetivos. São critérios técnicos que, se confirmados em relatório da Defesa Civil, obrigam o Governo do Estado a decretar situação de emergência em até 24 horas. Entre eles estão:

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  • Precipitação superior a 80 milímetros em 24 horas
  • Desabrigamento de famílias
  • Interrupção de serviços essenciais
  • Deslizamentos confirmados
  • Alertas de nível laranja ou vermelho emitidos pela própria Defesa Civil

Normalmente, prefeituras e Estado emitem decretos de emergência ou calamidade só depois que os danos acontecem. A mudança está em criar um caminho automático que dispensa nova análise política para liberar a resposta.

O que muda na prática

Entre os efeitos imediatos previstos no decreto estão a convocação extraordinária do Comitê Estadual de Proteção e Defesa Civil, a intensificação do monitoramento meteorológico, hidrológico e geológico, o pré-posicionamento de equipes, equipamentos e recursos materiais em áreas historicamente vulneráveis e a mobilização de servidores estaduais para apoio às ações da Defesa Civil. O texto também autoriza o uso de recursos do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (Fundec) para custear medidas preventivas e operacionais.

As prefeituras catarinenses também terão papel central. O Governo determinou que os municípios intensifiquem a limpeza de sistemas de drenagem, a fiscalização de áreas de risco, a atualização de planos de contingência e o monitoramento de comunidades vulneráveis. Os relatórios das ações deverão ser enviados periodicamente à Defesa Civil estadual.

O alerta dos meteorologistas

O decreto é assinado em meio a um cenário de previsões cada vez mais severas. O meteorologista catarinense Piter Scheuer, um dos mais respeitados do Estado, classificou o fenômeno em formação como super El Niño, com potencial de superar episódios históricos como o de 1983.

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Conforme o INMET e a Epagri/Ciram, a probabilidade de o El Niño se estabelecer no segundo semestre supera 80%. A Epagri aponta 25% de chance de o fenômeno atingir a categoria de muito forte, com chuvas muito acima da média no Sul do Brasil entre julho e a primavera. Modelos do Centro Europeu (ECMWF) e da agência norte-americana NOAA projetam anomalias de temperatura no Pacífico Equatorial que podem chegar a quase +3,8 °C no fim de 2026, o que colocaria o evento entre os três mais fortes desde o século XIX.

Barragens, radares e R$ 17 milhões em monitoramento

Junto com o decreto, o Governo do Estado divulgou um balanço dos investimentos em prevenção. A Barragem Sul, em Ituporanga, passou por reforma completa, com substituição das comportas, automação e acionamento remoto, em investimento superior a R$ 23 milhões. A Barragem Oeste, em Taió, está em processo licitatório para reforma, modernização e implantação de acionamento remoto direto pela Secretaria estadual.

A Barragem Norte, em José Boiteux, teve a ordem de serviço para reforma assinada nesta mesma segunda-feira (18). O investimento total da obra será de R$ 9,8 milhões. Há ainda projetos de novas barragens em Botuverá, Mirim Doce e Petrolândia, além de estudos para estruturas em Braço do Trombudo, Pouso Redondo e Agrolândia.

A rede estadual de monitoramento hidrometeorológico saltou de 42 estações instaladas no Vale do Itajaí entre 2022 e 2023 para 172 pontos em todas as regiões do Estado entre 2025 e 2026. Os dados são atualizados a cada 15 segundos. Com investimento de R$ 17 milhões, Santa Catarina passou a contar com previsões mais precisas e alertas mais rápidos à população. A rede de radares já cobre Lontras, Chapecó, Araranguá e Joinville, e um novo radar para a Grande Florianópolis, no município de Angelina, está em fase de estudos.

A fala do secretário

Santa Catarina vem se preparando de forma estruturada para enfrentar eventos climáticos severos. O Estado ampliou investimentos em monitoramento, modernizou equipamentos, fortaleceu os protocolos de resposta e ampliou a integração com os municípios. O decreto reforça essa estratégia preventiva e permite atuação antecipada para reduzir riscos e proteger vidas.

A frase é do coronel BM Fabiano de Souza, secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil.

ASSISTA AO VÍDEO

Capa do vídeo do YouTube

O caso até aqui

A movimentação do Estado começou bem antes da assinatura. Em abril, o Jornal Razão antecipou que Santa Catarina preparava um decreto inédito de emergência climática ligado ao El Niño, com elaboração coordenada pela Procuradoria-Geral do Estado.

No domingo, o Jornal Razão também mostrou que a assinatura estava marcada para esta segunda-feira, às 15h30, na sede da Defesa Civil estadual. Em paralelo, prefeituras de todo o Estado já começaram a se mexer. Rio do Oeste, no Alto Vale, transferiu a tradicional Festa da Polenta de julho para 2027. Blumenau aprovou uma nova lei de manejo de águas pluviais. E o Vale do Rio Tijucas vai receber, nos dias 26 e 27 de maio, um simulado com 200 militares do Exército ao lado da PMSC, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil.

A Defesa Civil também convoca a população a cadastrar o CEP no número 40199 para receber alertas oficiais diretamente no celular.

Próximos passos

O estado de alerta climático segue válido pelos próximos 180 dias. O Comitê Estadual de Proteção e Defesa Civil deve ser convocado em caráter extraordinário, e os municípios catarinenses precisam atualizar seus planos de contingência e enviar relatórios periódicos ao Estado. Caso qualquer um dos gatilhos objetivos seja confirmado, o Governo é obrigado a decretar situação de emergência em até 24 horas.

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