As cenas de ruas viradas em rios no Noroeste gaúcho neste fim de semana têm um nome por trás, e ele não pegou ninguém de surpresa. O El Niño, confirmado há poucas semanas, deu sua primeira demonstração de força no Sul do Brasil exatamente como meteorologistas vinham alertando, com chuva que passou de 200 milímetros em pontos do Rio Grande do Sul, enchentes, enxurradas e deslizamentos. O episódio cumpriu o que os boletins anunciavam há dias e reacendeu o sinal de atenção em toda a região, Santa Catarina incluída, onde a semana começa instável e cobra preparação.
O fenômeno foi confirmado no dia 11 de junho pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, depois de as águas do Pacífico Equatorial aquecerem acima do esperado. Desde então, a Defesa Civil de Santa Catarina e os serviços de meteorologia da região vêm reforçando o recado: o El Niño aumenta as chuvas no Sul do Brasil e eleva o risco de desastres ligados a precipitação intensa, como inundações, enxurradas e deslizamentos. O fim de semana no Rio Grande do Sul foi a confirmação prática desse aviso.
No Noroeste e no Norte gaúcho, os acumulados em menos de 24 horas ficaram entre 100 e 200 milímetros, com marcas isoladas superiores. São Martinho registrou 238 milímetros e Horizontina, 203, segundo dados de estações meteorológicas reunidos pela MetSul Meteorologia. Rios e arroios subiram em questão de horas, famílias precisaram deixar suas casas e estradas foram bloqueadas pela água. Em Porto Xavier, um motorista chegou a ser arrastado pela correnteza ao tentar atravessar uma ponte coberta e foi resgatado por moradores após cerca de três horas.
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Foi justamente esse tipo de cena que vinha sendo antecipado. O meteorologista Piter Scheuer destacou que os reflexos do El Niño já começaram a marcar presença sobre parte do Sul do Brasil, com episódios de enchente, alagamentos, enxurradas, deslizamentos e temporais ao longo do fim de semana, e lembrou que vem alertando para a condição de enchentes há algum tempo. Para ele, o quadro ainda não se encerra, e novos volumes expressivos podem ocorrer nas próximas semanas.
Como fica em Santa Catarina
Em Santa Catarina, a semana começa com o tempo instável, mas sem o cenário extremo visto no estado vizinho. De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, nesta segunda-feira há condições para temporais e chuva pontualmente intensa, com risco moderado a pontualmente alto para alagamentos, enxurradas pontuais, destelhamentos, danos na rede elétrica e queda de galhos e árvores. A atenção se concentra no Litoral Norte, no Planalto Norte, no Vale do Itajaí e nas áreas que fazem divisa com o Paraná. As temperaturas mínimas variam entre 11 e 16 graus pela manhã e não passam dos 20 à tarde.
Na terça-feira, a frente fria mantém o tempo carregado, com condições para temporais com raios, rajadas de vento e chuva intensa em grande parte das regiões. A preocupação maior se volta para o Grande Oeste e as áreas de divisa com o Rio Grande do Sul, onde há condições para tempestades severas de forma pontual a partir da tarde. As mínimas ficam entre 10 e 15 graus, um pouco mais amenas nas partes altas da Serra e do Meio-Oeste.
Na quarta-feira, o quadro se repete. A Defesa Civil mantém o risco moderado a alto para alagamentos, danos na rede elétrica, queda de árvores e destelhamentos, com atenção para o Grande Oeste, a Grande Florianópolis e novamente as áreas de divisa com o estado vizinho.
Frio intenso na sequência
A virada deve vir na quinta-feira. As instabilidades tendem a perder força ao longo da tarde e da noite, com a entrada de uma nova massa de ar frio e seco no Sul do Brasil. A chuva dá trégua e o frio chega com intensidade. Já na noite de quinta, as temperaturas entram em declínio, com sensação de frio intenso em grande parte do estado, mínimas abaixo de 10 graus e marcas ainda menores na Serra. Na sexta-feira, predominam o tempo firme e o frio em todo o território catarinense.
Diante do quadro, a Defesa Civil recomenda atenção redobrada com os grupos mais vulneráveis ao longo da semana, como crianças, idosos, pessoas em situação de rua e animais. A orientação é não transitar por áreas alagadas, a pé ou de veículo, evitar pontes e trechos cobertos pela água e ficar atento a sinais de deslizamento, como fendas no solo, muros estufados e árvores inclinadas, acionando a Defesa Civil pelo 199 em caso de emergência.
O alerta catarinense se soma a um aviso mais amplo para o Sul do país. Segundo a MetSul Meteorologia, a vazão dos rios menores e arroios do Noroeste gaúcho, onde se concentraram os maiores volumes, será descarregada na bacia do Rio Uruguai, que pode registrar forte elevação ao longo da Fronteira Oeste nesta e na próxima semana. Os meteorologistas reforçam que a tendência é de que os episódios de chuva volumosa se repitam nos próximos meses, à medida que o El Niño se consolida sobre a região, o que mantém a necessidade de acompanhamento constante dos boletins.
























