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Pneu, bacia, tapete e até placa de “PARE”: prefeito de Blumenau mostra montanha de lixo jogado em córrego

Conforme registro do próprio prefeito, em apenas uma hora de trabalho e 500 metros de córrego os voluntários retiraram pneus, plástico, bacia, tapete e até uma placa de trânsito. "Isso tudo não é daqui. Isso foi ação humana", disse Egidio.

Pneu, bacia, tapete e até placa de “PARE”: prefeito de Blumenau mostra montanha de lixo jogado em córrego
Foto: Reprodução
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O delegado e prefeito de Blumenau, Egidio Ferrari, entrou no ribeirão de bota e luva, segurou uma placa de “PARE” enferrujada que tinha sido jogada na água e disse o que muito morador finge não escutar. Em apenas uma hora de mutirão e 500 metros de trecho percorrido, o grupo de voluntários encheu sacos pretos com pneu, plástico, bacia, tapete e até uma placa de trânsito retirada do leito do córrego.

A ação aconteceu nesta semana em Blumenau, no Vale do Itajaí, e mobilizou voluntários para limpar ribeirões e córregos que cortam a cidade. As imagens registradas durante o trabalho mostram o prefeito dentro d’água, com chapéu de aba larga e luvas, ao lado de outros voluntários que carregavam sacos cheios e equipamentos para o trabalho de remoção.

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A constatação que veio do próprio Egidio é direta. Em pouco mais de meio quilômetro de córrego, o grupo retirou uma quantidade de resíduos que não chegou ali sozinha. “Isso tudo não é daqui. Isso foi ação humana. Alguém jogou, descartou de forma irregular”, registrou o prefeito durante o mutirão, mostrando à câmera os itens recolhidos.

O que a água carrega

Pneus inteiros, bacias plásticas, restos de tapete, garrafas, embalagens e sacolas. O catálogo do que foi tirado do ribeirão de Blumenau em apenas um trecho curto desenha o retrato de uma rotina silenciosa de descarte irregular que vai se acumulando até o dia em que o tempo fecha sobre o Vale do Itajaí.

O prefeito fez questão de costurar a ponte entre o que estava na mão dele e o que volta para a casa do morador quando chove forte. “A ação ruim do ser humano, que vai emporcalhando os rios, os córregos, e depois sobra para todo mundo, porque essa água vai parar dentro das nossas casas e dentro dos nossos negócios e das empresas”, disse Egidio.

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Quem joga e quem cobra

A fala de Egidio toca em um ponto que Blumenau conhece de cor. A cidade tem histórico recente de enchentes severas, com bairros inteiros tomados pela água em episódios de chuva forte, e a discussão sobre causas costuma se concentrar em obras de macrodrenagem e na ação da Defesa Civil. O mutirão dentro do ribeirão escancara o outro lado da equação: o entupimento provocado pelo lixo doméstico jogado em local irregular, que reduz o fluxo da água e empurra o transbordamento para dentro de casas e comércios.

Nos comentários da publicação feita pelo prefeito nas redes sociais, moradores reagiram em duas frentes. De um lado, agradecimento à iniciativa e pedidos para participar como voluntários nas próximas ações. De outro, o reconhecimento, em primeira pessoa, de que o problema mora na esquina. “A culpa é da própria população, sem educação, jogam lixo por tudo”, escreveu uma moradora. Outra completou: “Possa caminhão na frente de casa e não separam lixo. Povo não pensa nos netos, bisnetos. E onde vamos colocar esse lixo todo”.

A conta que volta no temporal

A imagem mais simbólica do mutirão é a placa de “PARE” enferrujada que Egidio segurou para a câmera, retirada de dentro do córrego. Uma sinalização de trânsito que deveria estar fincada em uma esquina foi parar no leito do ribeirão. Não chegou ali por engano nem por enxurrada de outro lugar. Alguém arrancou e jogou.

O recado que o prefeito deixou foi resumido em uma frase: “O melhor lixo é aquele que não chega nos nossos ribeirões”. A Prefeitura de Blumenau não detalhou se haverá novas edições do mutirão ou ampliação da ação para outras regiões da cidade, mas indicou que o trabalho de conscientização sobre descarte irregular seguirá nas próximas semanas, em paralelo aos serviços regulares de coleta.

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