O céu virou de vez no início da noite de terça-feira (30), e o barulho no telhado não deixou dúvida sobre o que estava caindo do lado de fora. Em Guaramirim, o granizo chegou grande, do tamanho que arranca lona, quebra vidro e transforma casa em canteiro de obras de um minuto pro outro. Quando amanheceu, três cidades de Santa Catarina já tinham decreto de emergência assinado, e a conta preliminar passava de 340 residências atingidas e mais de 460 pessoas fora de casa.
Os municípios que oficializaram a situação de emergência foram Guaramirim, Schroeder e Timbó Grande. Guaramirim concentra o pior cenário até agora: 150 imóveis afetados, 400 desalojados e nove rolos de lona já entregues às famílias pela Defesa Civil. Em Schroeder, o levantamento parcial aponta 61 residências atingidas e três rolos de lona distribuídos. Timbó Grande contabiliza 40 casas danificadas nas localidades de Schmidt, Três de Maio e Nova Cultura, onde a entrega de lonas segue em andamento.
O estrago não parou nos três decretos. Outras 13 cidades também registraram ocorrências, segundo as coordenadorias regionais da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil (SDC/SC): Araquari, Balneário Barra do Sul, Blumenau, Brusque, Canoinhas, Correia Pinto, Fraiburgo, Itaiópolis, Jaraguá do Sul, Joinville, Major Vieira, Massaranduba e Monte Castelo. Somando tudo, o balanço preliminar aponta 463 desalojados no estado. Até a publicação desta matéria, não havia registro de desabrigados.
O rastro do temporal
O tipo de ocorrência se repete de cidade em cidade: queda de granizo, ventos fortes, chuva intensa, destelhamentos, queda de árvores, postes de energia no chão e trechos de via interditados. As equipes municipais, com apoio das regionais, seguem em campo levantando danos e atendendo as famílias mais afetadas.
O que veio na terça não pegou o estado desprevenido. Os núcleos de instabilidade mais severos apareceram nos radares meteorológicos ainda no fim da tarde, o que permitiu à central da SDC/SC antecipar os alertas antes do granizo começar a cair. A tempestade foi puxada por uma frente fria que se aproximava do estado e ganhou força ao encontrar o ar quente e úmido acumulado no continente.
O que vem pela frente
Para o restante desta quarta-feira, a tendência apontada pela central de monitoramento é de recuo da chuva em direção à divisa com o Rio Grande do Sul, onde a precipitação deve se manter mais persistente ao longo do dia. Mas os meteorologistas fazem uma ressalva importante: por se tratar de um sistema semi-estacionário, a posição das áreas de chuva e tempestade pode oscilar. Traduzindo: a região que hoje aparece fora da linha de risco pode entrar nela em algumas horas, e vice-versa.
Na quinta-feira (2), o cenário muda de nome mas não de tamanho. O sistema avança como frente fria e deve provocar temporais isolados em várias regiões catarinenses. Mesmo isolados, os meteorologistas alertam que esses núcleos podem vir novamente com forte intensidade, acompanhados de granizo, vendaval e chuva localizada. Com esse quadro, o risco a novas ocorrências é considerado moderado.
O que a Defesa Civil recomenda
Enquanto as próximas 48 horas não passam, a Defesa Civil recomenda que a população acompanhe os boletins e avisos meteorológicos pelos canais oficiais e adote os cuidados básicos durante os temporais: buscar local abrigado longe de janelas e objetos que possam ser arremessados; evitar transitar ou se abrigar perto de árvores, placas, muros e postes de energia em caso de vento forte; e, em caso de chuva intensa com alagamento, não atravessar ruas alagadas nem pontes e pontilhões submersos.
Os decretos de emergência, por enquanto, valem para Schroeder, Timbó Grande e Guaramirim, e o número de residências afetadas deve subir conforme as equipes concluam a vistoria de campo.
























