Logo Jornal Razão
Publicidade

Um estuprador condenado e dois absolvidos: MP vai recorrer no caso de Ana Beatriz, morta a caminho da escola em SC

Dois acusados julgados nesta quinta-feira (25), respondiam por crimes como homicídio qualificado, estupro de vulnerável e fraude processual; julgamento ocorreu em Florianópolis. Foto: MPSC / Arquivo Pessoal

Um estuprador condenado e dois absolvidos: MP vai recorrer no caso de Ana Beatriz, morta a caminho da escola em SC
Foto: Reprodução
Publicidade

Eram poucos minutos de caminhada. Ana Beatriz Schelter, de apenas 12 anos, saiu de casa a pé por volta das 13h do dia 2 de março de 2016, em Rio do Sul, no Vale do Itajaí, para ir à escola, onde cursava o sétimo ano. O trajeto era curto, conhecido, banal. Ela nunca chegou ao destino.

Dez anos depois, a família que tanto esperava por justiça voltou para casa sem a resposta que queria ouvir. Após cerca de 14 horas de júri, realizado nesta quinta-feira (25) em Florianópolis, dois réus apontados pelo Ministério Público de Santa Catarina como envolvidos na morte da adolescente foram absolvidos. A decisão, porém, não encerra a disputa: o MPSC anunciou que vai recorrer.

Publicidade

Para o Promotor de Justiça Jonnathan Augustus Kuhnen, da 37ª Promotoria de Justiça, que atuou no júri, as provas reunidas ao longo da investigação sustentam a participação dos acusados nos crimes. Segundo ele, um dos homens submetidos a julgamento, de 63 anos, teria participado diretamente das violências que resultaram na morte da menina, incluindo o crime de estupro de vulnerável. O outro, de 55 anos, teria interferido na investigação, alterando elementos que poderiam servir como prova.

“Respeitamos a decisão do júri, mas entendemos que há elementos suficientes para sua revisão e, por isso, vamos recorrer”, afirmou o promotor.

A menina que sumiu no caminho

O desaparecimento de Ana Beatriz foi registrado pelo pai na noite do mesmo dia. A espera durou poucas horas e terminou da pior forma. Na manhã seguinte, o corpo da adolescente foi encontrado dentro de um contêiner às margens da BR‑470.

Publicidade

A cena havia sido montada para enganar. A perícia apontou que tudo fora preparado para simular um suicídio por enforcamento, hipótese rapidamente descartada pelos investigadores. O laudo foi categórico ao confirmar que a vítima sofreu violência sexual e morreu por asfixia.

A Operação Fênix

A apuração coube ao GAECO de Blumenau, sob coordenação da 3ª Promotoria de Justiça de Rio do Sul, no âmbito da Operação Fênix. O Ministério Público denunciou três réus pelo caso.

Mário Pfleger, de 58 anos, apontado como principal autor já havia sido condenado em 12 de maio deste ano pelos crimes de estupro de vulnerável, homicídio qualificado por feminicídio e fraude processual. As investigações revelaram um detalhe que torna o crime ainda mais cruel: ele era conhecido da família, acompanhava a rotina da menina e se aproveitou dessa proximidade para agir.

Publicidade

Segundo o MPSC, esse primeiro réu e outro denunciado, condenado em data anterior, apresentavam comportamento relacionado à exploração sexual de crianças e adolescentes, o que reforçou a ligação entre os envolvidos. No dia do crime, conforme a denúncia, os dois ofereceram carona à adolescente durante o trajeto até a escola. Com ela no veículo, seguiram para um local não identificado, onde os crimes foram cometidos.

Por que o julgamento ocorreu em Florianópolis

O júri foi transferido de Rio do Sul, onde o crime aconteceu, para Florianópolis, após pedido apresentado pela defesa dos réus. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina aceitou a solicitação em fevereiro de 2026.

O desaforamento, como é chamada a transferência de um julgamento de uma cidade para outra, é um instrumento previsto na legislação. Ele permite a mudança do local quando se entende que a ampla repercussão do caso pode influenciar o ambiente do júri.

O Ministério Público não recorreu dessa decisão, embora não identificasse impedimentos para a realização do julgamento em Rio do Sul. Pesou o tempo em que o caso aguardava julgamento, com a prioridade de garantir que o processo não se prolongasse ainda mais, em respeito à memória da vítima e de seus familiares.

Três réus, julgamentos separados

O processo foi desmembrado por decisão judicial. Na primeira data, foi julgado o acusado apontado como principal autor. Mário foi condenado pelos crimes de estupro de vulnerável, homicídio qualificado e fraude processual, com pena fixada em 58 anos e nove meses de prisão em regime fechado, além de nove meses e 26 dias de detenção em regime semiaberto.

O julgamento desta quinta-feira contemplou os outros dois acusados denunciados pelo MPSC, ambos absolvidos pelo júri. Agora, com o anúncio do recurso, o caso Ana Beatriz Schelter, que há uma década pesa sobre Rio do Sul, ainda não chegou ao fim.

Receba as notícias no WhatsAppEntrar
Publicidade
Publicidade
Grupo de WhatsApp · Tempo real

Santa Catarina no seu WhatsApp

Entre no grupo oficial do Jornal Razão. As principais manchetes do dia, direto no seu aparelho. Sem spam.

Entrar no grupo
+48 mil catarinenses já acompanham