O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) empossou, nesta quarta-feira (21), onze novos promotores e promotoras de Justiça aprovados no 44º Concurso de Ingresso na Carreira. A cerimônia ocorreu na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, em Florianópolis, e marcou o início de uma nova etapa profissional para os recém-chegados ao órgão — escolhidos entre mais de quatro mil inscritos.
Mas o que era para ser apenas uma solenidade protocolar se transformou em um momento de forte impacto institucional. A procuradora-geral de Justiça de Santa Catarina, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, fez um discurso firme e contundente, destacando o papel transformador da função ministerial e cobrando dos novos promotores uma atuação mais próxima da realidade social.
“Saiam do conforto do gabinete”
Em meio a aplausos e olhares atentos, Vanessa Cavallazzi foi direta ao afirmar que a simples redação de peças jurídicas, por mais bem intencionada que seja, já não é suficiente para enfrentar os desafios da sociedade. “Vocês vão precisar sair, vão ao encontro de cada um deles”, alertou.
A procuradora-geral foi enfática ao afirmar que o Ministério Público está no centro de uma crise de confiança institucional. “Nunca foi tão evidente a desconfiança social em relação às instituições democráticas. Nós estamos sendo questionados.”
A voz de quem não tem voz
Ela também destacou o compromisso do MPSC com os mais vulneráveis: “Somos a voz das crianças, dos idosos, das vítimas de violência doméstica. A voz daqueles que não percebem que estão sendo roubados. A voz da sociedade. As instituições não são edifícios. As instituições são pessoas.”
O discurso tocou em uma das principais responsabilidades da nova geração de promotores: assumir essa representação de forma responsável, humana e ativa.
Responsabilidade diária e escuta ativa
Vanessa Cavallazzi pontuou que a atuação ministerial exige muito mais que conhecimento técnico. “Não basta aplicar a lei com correção. É preciso entender o contexto em que ela opera”, disse, lembrando que a sociedade atual é marcada por velocidade, fragmentação e complexidade crescente.
Ela defendeu uma atuação sensível, com escuta qualificada e equilíbrio. “É preciso firmeza e prudência, convicção e humildade.”
Entre o texto e a vida real
Segundo a procuradora-geral, promotores não são apenas agentes de acusação ou fiscalização. “São mediadores institucionais entre o texto normativo e a vida real. Entre o ideal constitucional e a concretude social.”
Vanessa ainda fez uma crítica à atuação burocrática e distante: “A presunção de quais são os problemas das comunidades é uma presunção solta, desconectada da realidade. É preciso sair, ir até elas, entender o que vivem e sentem.”
Curso e início das atividades
Conforme o MPSC, os empossados iniciam nesta quinta-feira (22) o Curso de Ingresso na Carreira, com duração de cinco semanas. Nesse período, eles terão aulas sobre a estrutura do Ministério Público, sua atuação e os desafios institucionais.
A partir de 2 de março, os novos promotores começam a atuar como Promotores de Justiça Substitutos em comarcas espalhadas por diferentes regiões de Santa Catarina.
Nova geração sob expectativa
A posse dos onze novos membros representa um reforço técnico e humano no Ministério Público catarinense. Além da conquista do concurso, os promotores assumem agora a responsabilidade de representar o Estado diante de uma população cada vez mais exigente e vigilante.
“O promotor de justiça não atua para agradar maiorias, nem para seguir ventos políticos”, concluiu Vanessa Cavallazzi, reafirmando que a missão do Ministério Público é usar a lei como ferramenta de justiça — e não como fim em si mesma.
























