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Prefeito de SC é alvo de operação do GAECO contra esquema de corrupção com empresa de Blumenau

Operação Gaiola Digital cumpre 17 mandados em sete cidades e mira empresa de tecnologia de Blumenau que fornece sistemas de gestão para municípios catarinenses. O prefeito de Irani, Vanderlei Canci, está entre os alvos das buscas.

Prefeito de SC é alvo de operação do GAECO contra esquema de corrupção com empresa de Blumenau
Foto: Reprodução
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Um dos alvos da Operação Gaiola Digital, deflagrada na manhã desta quinta-feira em Santa Catarina, é o prefeito de Irani, Vanderlei Canci (PP), no Alto Uruguai Catarinense. O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e o Grupo Especial Anticorrupção (GEAC) miram um suposto esquema de fraudes em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a Administração Pública, e o endereço ligado ao chefe do Executivo municipal entrou na lista de mandados cumpridos.

A ação apura a atuação de uma suposta organização criminosa que teria como centro uma empresa de tecnologia sediada em Blumenau, responsável pelos sistemas de gestão pública de boa parte dos municípios catarinenses. Ao todo, são 17 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, cumpridos em sete cidades: Blumenau, Rio do Sul, Lages, Penha, Balneário Camboriú, Canoinhas e Irani.

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Como o esquema funcionava

A investigação é conduzida pelo Núcleo de Forças-Tarefa da Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos do MPSC. O ponto de partida foram informações obtidas em acordos de colaboração premiada firmados no âmbito da Operação Et Pater Filium, depois confirmadas por um amplo conjunto de provas reunidas ao longo das apurações.

Segundo o Ministério Público, o núcleo investigado teria estruturado um esquema voltado ao direcionamento de licitações para a contratação de sistemas de gestão pública em diversos municípios catarinenses. Na prática, o alvo era o coração administrativo das prefeituras: os softwares que rodam a máquina pública.

O método, conforme o apurado, começaria pela aproximação prévia de agentes públicos. A partir daí, o grupo elaboraria ou influenciaria editais, inserindo cláusulas restritivas à competitividade e moldando critérios técnicos para favorecer uma empresa previamente escolhida. Para garantir a contratação, a manutenção e a renovação dos contratos, entrariam as vantagens indevidas.

As investigações apontam que o esquema teria estrutura organizada, com divisão de tarefas. Havia núcleos responsáveis pela articulação com agentes públicos, pela elaboração dos documentos técnicos, pela operacionalização dos pagamentos indevidos e pela movimentação financeira destinada a ocultar a origem e o destino dos recursos.

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Milhões em movimentações

Foi nessa última frente que apareceram os indícios de lavagem de dinheiro. De acordo com o MPSC, o grupo usaria saques fracionados e operações financeiras para formar um caixa clandestino, abastecendo o pagamento de propinas. Só no período investigado, entre 2022 e 2026, foram identificadas centenas de movimentações bancárias incompatíveis com a atividade empresarial regular, somando milhões de reais.

O nome da operação não é aleatório. “Gaiola Digital” faz referência ao ambiente tecnológico usado como instrumento do esquema, que teria capturado e restringido a livre concorrência nos processos de contratação de sistemas informatizados para a administração pública.

Nesta fase, as medidas judiciais têm como objetivo a coleta e a preservação de provas, incluindo documentos, equipamentos eletrônicos, registros digitais e outros elementos relevantes. A investigação tramita sob sigilo, e novas informações poderão ser divulgadas assim que houver a publicidade dos autos.

O GAECO é uma força-tarefa conduzida pelo MPSC e composta por Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar, voltada à identificação, prevenção e repressão a organizações criminosas. Já o GEAC reúne membros do Ministério Público e atua em investigações e ações judiciais de combate à corrupção de maior gravidade ou complexidade.

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