A promotoria não escondeu o motivo: “falhas frequentes e prolongadas no fornecimento de energia elétrica”. Em 26 de junho de 2026, a 3ª Promotoria de Justiça de Itapema instaurou inquérito civil para investigar a CELESC, depois de meses de reclamações que se acumularam entre moradores, comerciantes e o próprio Legislativo municipal.
O inquérito tem número 06.2026.00002582-3 e está a cargo do promotor Rodrigo Cesar Barbosa. As partes envolvidas são o Município de Itapema e a CELESC.
A abertura de um inquérito civil não significa condenação. O instrumento serve para o Ministério Público reunir provas e verificar se a concessionária está cumprindo as obrigações previstas para a prestação do serviço de energia elétrica. Ainda assim, o gesto formaliza algo que Itapema já vinha sentindo na pele havia meses.
O ano começou mal. No dia 1º de janeiro, mais de 11 mil unidades consumidoras de Itapema e Porto Belo ficaram sem energia por até 12 horas, em pleno Réveillon. Bairros como Meia Praia, Andorinha, Castelo Branco e Perequê apagaram por volta das 17h40, e moradores e turistas fizeram um panelaço de revolta na Rua 246. A CELESC atribuiu o apagão a “erro operacional”.
Menos de duas semanas depois, em 13 de janeiro, novo colapso: cerca de 14 mil unidades consumidoras ficaram sem luz em um único episódio, desta vez provocado por telas de obras lançadas contra a fiação elétrica, problema que a própria concessionária reconheceu como recorrente no Litoral Norte.
Em fevereiro, quase 6 mil unidades voltaram a ficar no escuro. E em 24 de junho, a poucos dias da instauração do inquérito, uma máquina da Conasa rompeu um poste durante obra de esgoto na Rua 600, no Tabuleiro dos Oliveiras, e deixou quase 12 mil unidades sem energia, com incêndio em vegetação próxima como efeito colateral.
Foi nesse cenário de falhas em sequência que políticos locais abriram denúncias formais pedindo medidas emergenciais e indenização por dano moral coletivo de R$ 5 milhões. Entre os pedidos estavam relatório técnico em 48 horas sobre transformadores sobrecarregados, geradores móveis emergenciais e multa diária por novas interrupções sem justificativa.
A expectativa é que a investigação do Ministério Público deve revelar se as falhas recorrentes decorrem de subdimensionamento estrutural da rede, falta de manutenção preventiva ou negligência da concessionária diante do crescimento acelerado do município, além de apontar se houve omissão da CELESC em adotar as medidas emergenciais já cobradas pelo Legislativo.



























