Eles eram o “Papai e a Mamãe Noel” da região, o casal que se vestia assim para repartir presentes com crianças carentes. Cinco dias antes do Natal de 2020, à noite, aquele mesmo casal terminaria com um dos dois morto no chão da própria casa. Nesta quinta-feira (18), a mulher de 54 anos acusada de matar o marido, de 48, vai a júri popular em São Bento do Sul, no Norte de Santa Catarina.
O casal, junto havia 26 anos e pai de dois filhos, era conhecido na região justamente por esse gesto: vestiam-se de Papai e Mamãe Noel para fazer trabalho voluntário. Horas antes da morte, segundo a defesa, os dois haviam participado de uma campanha natalina exatamente nesses personagens, distribuindo presentes para crianças da zona rural de Campo Alegre, cidade catarinense onde moravam.
O julgamento teve inicio às 9h, no fórum de São Bento do Sul, conforme confirmou o Poder Judiciário. A mulher, servidora pública municipal, responde por homicídio qualificado por motivo fútil.
Relembre o caso
A morte ocorreu em 20 de dezembro de 2020, por volta das 23h, na casa do casal, no bairro São Miguel. De acordo com a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina, os dois passaram o dia fora e voltaram para casa à noite. Ao chegarem, teriam começado uma discussão por causa de um vazamento na máquina de lavar, que alagou parte da lavanderia e da cozinha.
A partir daí, conforme a denúncia, o casal passou a trocar ofensas. Durante a discussão, a mulher teria pegado uma faca e golpeado o marido no tórax.

A defesa apresenta outra leitura do que aconteceu naquela noite. A advogada Camila Vizoto, que representa a acusada, sustenta que não se tratou de um crime banal nascido de uma briga doméstica qualquer.
“Não foi um crime motivado por uma discussão comum, e sim a reação de uma mulher que, após anos de violência doméstica, lutou para preservar a própria vida.”
Segundo a defesa, a mulher já vinha sofrendo agressões e havia registrado boletins de ocorrência contra o marido antes da noite da morte. A advogada afirma ainda que, na ocasião dos fatos, a acusada teria sido agredida, e que um exame pericial feito depois do episódio apontou lesões no braço dela compatíveis com os relatos de agressão.
O caso entra agora nas mãos dos jurados, que terão de decidir entre a tese do Ministério Público, de homicídio por motivo fútil, e a tese da defesa, de uma mulher que reagiu para sobreviver.
























