O que separava as duas famílias era um pedaço de terra, em Irani, no Oeste catarinense. O que separou uma delas do resto da vida foi o veredito lido na madrugada desta sexta-feira (24), no plenário do Tribunal do Júri da Comarca de Concórdia. Depois de um julgamento que começou na quinta-feira (23) e varou a noite, pai, mãe e dois filhos foram condenados pela morte de um jovem de 26 anos e pelos golpes de facão que arrancaram o polegar de outro homem, em Irani, no Oeste catarinense.
O pai, de 56 anos, foi considerado culpado por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificada, com pena de 35 anos de prisão. A mãe, de 61 anos, e os dois filhos do casal foram condenados por tentativa de homicídio qualificada, com penas que chegaram a 10 anos de reclusão. Os quatro já respondiam ao processo presos e assim permanecem, mesmo com as decisões ainda sujeitas a recurso pelas defesas.
A vítima fatal foi Valmir Marques da Silva, de 26 anos, conhecido na vizinhança como “Fio”. Ele levou um disparo de arma de fogo na cabeça durante a confusão, foi socorrido em estado grave e encaminhado ao Hospital São Francisco, em Concórdia, onde ficou internado na Unidade de Terapia Intensiva. Três dias depois, teve a morte cerebral confirmada. A família autorizou a doação dos órgãos.
A disputa pelo terreno
Segundo a denúncia do Ministério Público, a origem do confronto estava na utilização e na posse de um terreno. As duas famílias eram vizinhas no Bairro Santo Antônio, em Irani, e a desavença sobre quem podia usar o quê arrastou-se até estourar em violência aberta, no dia 28 de janeiro de 2025.
No meio da confusão, um dos envolvidos efetuou o disparo que atingiu a cabeça do jovem de 26 anos. Na mesma ocorrência, um homem de 46 anos foi atacado a golpes de facão e ficou gravemente ferido, com a amputação do polegar da mão direita entre as lesões. Um vídeo gravado na época registrou toda a extensão do conflito.
A fuga e a captura no Rio Grande do Sul
Logo depois dos fatos, a Polícia Militar prendeu o casal ainda em Irani, o homem de 56 anos e a mulher de 61. Os dois filhos, porém, conseguiram fugir antes de serem localizados.
A busca só terminou semanas depois, no Rio Grande do Sul, durante uma operação da Brigada Militar realizada a partir do compartilhamento de informações com a Polícia Militar de Irani. Os dois foram devolvidos ao processo, que desde então correu com os quatro réus presos.
O que muda agora
Com o veredito do conselho de sentença, o processo entra na fase de cumprimento das decisões. As defesas ainda podem recorrer, mas o recurso não altera a situação prisional dos condenados: os quatro permanecem detidos enquanto o caso tramita nas instâncias superiores.






















