Eles ficaram mais de duas horas escondidos dentro da própria casa da família, esperando no escuro. Quando Susimara Gonçalves de Souza, de 42 anos, e o marido, Pedro Ramiro de Souza, de 47, chegaram em casa naquela noite, o filho dela e o cunhado já estavam à espreita. O casal foi dominado, amordaçado e morto por asfixia. Depois, celulares e alianças sumiram e a cena foi rearranjada para parecer um assalto que nunca houve.
Quase um ano e meio depois, a Justiça encerrou o caso com uma das penas mais altas já aplicadas na comarca. O filho de Susimara, apontado como o mentor do crime, foi condenado a 61 anos e 10 meses de prisão. O cunhado, que participou da execução, recebeu 44 anos e 4 meses, além de 6 meses de detenção e 20 dias-multa, em regime inicial fechado. Ambos seguem presos e não poderão recorrer em liberdade.
Os crimes aconteceram no bairro Espinheiros, em Itajaí. O filho da vítima responde por homicídio qualificado, feminicídio majorado e fraude processual. O cunhado foi condenado pelos mesmos crimes, com pena menor por seu papel no episódio.
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, nada ali foi improviso. Houve planejamento prévio, emboscada e a montagem de uma cena falsa de furto para despistar a investigação. Durante os debates em plenário, a acusação sustentou que os dois agiram juntos e que a motivação era financeira, obter vantagem sobre a herança da família. O casal tinha casa, carros e era dono de uma loja de decorações na cidade.
A noite do crime
De acordo com a denúncia, tudo começou por volta das 22h20 do dia 23 de novembro de 2024. O filho da mulher e enteado da outra vítima, ao lado do cunhado, invadiu a residência do casal e permaneceu escondido no imóvel por mais de duas horas, aguardando a chegada das vítimas. Assim que o casal entrou em casa, os dois teriam sido dominados e mortos por asfixia.
Em seguida, os autores recolheram celulares e alianças e alteraram a cena para simular um assalto. A acusação apontou que o filho teria planejado os homicídios e prometido cerca de R$ 10 mil ao cunhado para que ele participasse da execução. Os dois já estavam presos preventivamente durante a tramitação do processo, e a prisão foi mantida ao fim do julgamento.
O que a investigação revelou
Um detalhe apurado pela Polícia Civil chamou atenção logo no início: parte do patrimônio do casal estava registrada em nome de outros familiares. Na época, o delegado Roney Gonçalves Alves, da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Itajaí, contou que familiares relataram uma desconfiança do padrasto em relação ao enteado. Segundo os depoimentos, ele acreditava que o jovem ainda não tinha experiência suficiente para tocar a empresa da família.
Essa tensão teria pesado. Conforme a investigação, a situação levou o réu a deixar o negócio da família e passar a trabalhar como motoboy por aplicativo. Ainda assim, os parentes descreviam uma relação próxima entre os dois, a ponto de o enteado costumar chamar o padrasto de pai, o mesmo homem que, segundo o Ministério Público, ele planejou matar.
O julgamento
A sessão ouviu quatro testemunhas, além dos interrogatórios dos réus e dos debates entre acusação e defesa. Ao final, a Justiça condenou os dois, manteve a prisão preventiva de ambos e negou o direito de recorrerem em liberdade.






















