São Bento do Sul sempre foi conhecida como a capital catarinense dos móveis. Mas um vídeo que viralizou nas últimas horas sugere que a cidade do Planalto Norte está prestes a ganhar um segundo título, bem menos esperado: o de terra dos supermercados de Santa Catarina.
Nas imagens, um morador percorre as ruas da cidade e vai apontando, um por um, os estabelecimentos que já funcionam e os que estão por vir. MIG, Forte, Komprão, Ipermais, Condor e o Tacado Albino. Em dado momento, ele percebe que quase esqueceu um deles. “Tava esquecendo, tem mais esse Forte aqui no centro de São Bento. Já ia esquecendo dele.” A cena arrancou risadas nos comentários — e muita identificação.
O vídeo não exagera. A cidade realmente está no centro de uma das maiores disputas do varejo alimentar do sul do Brasil nos últimos meses.
A invasão começa
O movimento ganhou tração em setembro de 2025, quando a Rede Condor, do Grupo Zonta, anunciou a aquisição de cinco lojas do antigo Compre Mais no Planalto Norte catarinense, sendo três delas em São Bento do Sul. Em novembro, as unidades começaram a operar sob as bandeiras Condor e Hipermais. Em fevereiro de 2026, o hipermercado reformado do centro foi reinaugurado com nova identidade visual.
Enquanto o Condor se instalava, o Grupo Koch entrava pela porta da frente. Em 11 de dezembro de 2025, a rede inaugurou sua 92ª loja em Santa Catarina — a primeira unidade do Komprão em São Bento do Sul, no bairro Oxford, com 7,2 mil metros quadrados de área construída. O CEO José Koch confirmou que, em 2026, serão abertas mais duas operações na cidade: um Komprão no bairro Serra Alta e um SuperKoch na Avenida São Bento.
Além do Grupo Koch e do Condor, outras três redes chegam com unidades novas: Fort, Albino e MIG. A prefeitura municipal confirmou que todos os alvarás de construção para as novas unidades já foram emitidos.
Por que São Bento?
Para o setor, o interesse das grandes redes não é por acaso. O CEO do Grupo Koch explica que a cidade tem “uma economia local sólida, PIB alto e setores industriais que geram emprego e renda, o que garante movimento constante no varejo.” A localização estratégica no Planalto Norte, conectada a municípios como Rio Negrinho e Mafra, também pesa na conta.
A prefeitura avalia a chegada das redes como sinal positivo, interpretando o movimento como indicativo de confiança na economia local e potencial de geração de empregos.
E o consumidor?
Para os moradores, a disputa tem sabor de competição. Nos comentários do vídeo, alguém resumiu: “Mais concorrência, melhor pro consumidor.” Outro foi mais filosófico: “Aqui não dá pra pedir que o mundo acabe em barranco, pois vai acabar mesmo é em supermercados.” Um terceiro reclamou das prioridades: “Aí vc sai procurar tamarindo de limão sabor pêssego vc não encontra. É um descaso.”
O que ninguém está discutindo, pelo menos por enquanto, é se São Bento do Sul ainda vai conseguir competir pelo título de capital dos móveis. Porque, no ritmo que vai, as prateleiras de supermercado podem acabar ocupando mais espaço do que os showrooms.
























