Leonardo Käufer chegou cedo para a ordenha, como em qualquer manhã, mas a cena que encontrou no rebanho não tinha nada de rotineiro. Uma das ovelhas estava cansada, agitada e visivelmente incomodada, sinal claro de que o dia reservava trabalho. O que ele ainda não sabia é que, ao fim daquela manhã do dia 16 de junho, sua propriedade em Rancho Queimado, na Grande Florianópolis, teria três novos moradores de uma vez só.
Tutor e veterinário do animal, Käufer percebeu de imediato que a ovelha entrava em trabalho de parto e iniciou os procedimentos para a retirada do primeiro filhote.
“De manhã cedo, quando cheguei para a ordenha e para dar uma olhada no rebanho, notei que a ovelha estava muito cansada, agitada e incomodada”, relatou.
Nascimento incomum
O nascimento dos trigêmeos, duas fêmeas e um macho, é considerado raro na ovinocultura. Conforme a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), partos triplos representam apenas 1% dos casos, o que transforma a manhã em Rancho Queimado em uma exceção dentro da estatística.
A raça da ovelha ajuda a explicar parte da surpresa. De origem alemã, a East Friesian é conhecida por ser altamente prolífera e especializada na produção de leite, e por isso o veterinário já desconfiava que um segundo filhote pudesse estar a caminho. A suspeita se confirmou logo na sequência.
Mas foi depois de retirar o segundo cordeiro que veio o momento mais inesperado. Por precaução, Käufer decidiu fazer um exame de toque mais profundo e, no fundo do útero, encontrou uma terceira ovelhinha. Na hora, confessou, chegou a temer que o animal não estivesse vivo, justamente porque trigêmeos são tão incomuns.
O receio não se confirmou. Os três cordeiros nasceram vivos, e o desfecho carregou um peso especial para o produtor, que já havia enfrentado uma perda parecida.
“Foi algo bem incomum. Há oito anos, tivemos um parto de gêmeos aqui, mas um nasceu muito pequenininho e não resistiu. Desta vez, ficamos muito felizes porque todos sobreviveram”, comemorou.
O destino dos filhotes já está traçado dentro da rotina da propriedade leiteira. As duas fêmeas devem permanecer no local para se tornarem futuras matrizes, as mães do rebanho, enquanto o macho deve seguir para outra propriedade como reprodutor.
Por terem dividido o mesmo espaço e os mesmos nutrientes durante a gestação, os três nasceram menores e mais frágeis do que cordeiros de partos simples ou de gêmeos, explicou o veterinário. A diferença exige cuidado redobrado nas primeiras semanas de vida.
“Eles estão saudáveis e se desenvolvendo bem, mas precisam de um complemento na mamadeira. Isso ajuda tanto os filhotes quanto a própria mãe, que passou por um parto bastante desgastante”, detalhou Käufer.
Por ora, o trio segue sob acompanhamento, ganhando peso e firmeza a cada dia na propriedade que ganhou três habitantes onde esperava, no máximo, dois.



























