Os cães comunitários que há oito anos viviam na Praça Hercílio Luz, no Centro de Araranguá, no Sul de Santa Catarina, perderam o abrigo depois que a Prefeitura removeu as casinhas do local durante a revitalização do espaço. As estruturas foram transferidas para uma área às margens de um rio, mas os animais não acompanharam a mudança: seguem circulando pela praça durante o dia e passam a noite sem proteção, em pleno inverno catarinense.
O impasse ganhou repercussão depois que protetoras de animais gravaram vídeos mostrando a situação e denunciaram que a retirada não resolveu o problema. As casinhas foram bancadas pelas próprias protetoras, que há anos custeiam a alimentação e os cuidados dos cães comunitários, animais que vivem em espaço público mas recebem acompanhamento de voluntários.
A revitalização da Praça Hercílio Luz é uma obra de R$ 4,6 milhões da administração municipal. O espaço, considerado histórico, havia se tornado ponto de usuários de drogas e pessoas em situação de rua, e o projeto prevê chafariz, novo coreto, prédio para biblioteca e espaço para artesanato, com o objetivo de reativar a frequência de moradores no local.
Casinhas danificadas
Ao levar as casinhas da praça para a beira do rio, no entanto, as estruturas teriam sido danificadas. Segundo as protetoras, telhados foram quebrados e o piso das casinhas ficou deslocado durante o transporte, o que deixaria os abrigos sem condições de uso. Para elas, é natural que os animais rejeitem um espaço deteriorado e distante do território que reconhecem como seu.
O ponto central da denúncia é que os cães não abandonaram a praça. Eles continuam frequentando o local onde sempre viveram, onde tomam sol, se alimentam e recebem carinho de quem passa. Sem as casinhas, porém, à noite os animais ficam expostos ao frio, no mesmo ponto de sempre, sem qualquer estrutura de proteção.
Proteção prevista em lei
A permanência de animais comunitários em espaços públicos é assegurada por lei em Santa Catarina. A Lei Estadual 19.726/2026, sancionada pelo governador Jorginho Mello em janeiro deste ano, proíbe a remoção, a restrição de movimento ou a transferência desses animais sem justificativa técnica e sem comunicação prévia aos cuidadores.
Repercussão
Nos comentários das publicações sobre o caso, moradores classificaram a retirada das casinhas como um absurdo, especialmente por ocorrer no período mais frio do ano, e pediram que as estruturas voltem para a praça. Parte do público defendeu mobilização e manifestação diante da Prefeitura de Araranguá.
As protetoras afirmam que não vão recuar e que pretendem continuar cobrando publicamente uma solução, com o objetivo de garantir o direito dos animais de permanecerem no espaço onde sempre viveram. A Prefeitura de Araranguá não se manifestou publicamente sobre as críticas apresentadas nos vídeos.























