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“Mas daí eles vão ser abatidos”: diz PM em resposta a protetora animal sobre cães comunitários em SC

Questionado sobre o que aconteceria se um dos cães comunitários avançasse em alguém, um policial militar respondeu que os animais seriam abatidos. A cena foi gravada durante a retirada da casinha dos cães em Xaxim. Prefeitura, PM e governo do Estado não se manifestaram.

“Mas daí eles vão ser abatidos”: diz PM em resposta a protetora animal sobre cães comunitários em SC
Foto: Reprodução
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A pergunta era simples: e se um dos cães comunitários chegar a avançar em alguém? A resposta do policial militar veio na frente da câmera, em Xaxim, no Oeste catarinense: “Mas daí eles vão ser abatidos.” O trecho foi gravado por uma protetora animal durante a retirada da casinha dos animais de rua e, em poucas horas, não parou mais de circular.

Segundo a protetora, a Prefeitura do município recolheu mais cedo a estrutura instalada em frente à sua própria residência, o único abrigo que aqueles animais tinham. Dois dos cães que dormiam ali estariam em tratamento de quimioterapia por causa de TVT, um tumor comum em animais de rua. Foi ao questionar a retirada que as protetoras ouviram a resposta sobre o abate.

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Apelo ao governador

O vídeo chegou à protetora animal Pri Fernandes, que assumiu a cobrança pública e apelou direto ao chefe do Executivo catarinense. “Pelo amor de Deus, governador Jorginho, escuta essa. Em Xaxim, os animais, os cães de rua estão ameaçados, e o que é pior, pela polícia militar”, diz no registro.

Ela lembra que o cão comunitário tem amparo em lei estadual e pede a intervenção do governo do Estado.

Esses cães, eles são protegidos por lei, por lei estadual, que ampara o cão comunitário.

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O argumento central da denúncia é o de que o animal não escolheu estar ali. “Isso não é resposta que se dê a um animal que está ali, porque ele não quer, ele foi abandonado, ele é fruto de um abandono e de falta de política pública”, diz Pri Fernandes no vídeo.

Revolta nas redes

A repercussão foi imediata. Nos comentários, protetores, voluntários e moradores de Xaxim e de outras cidades catarinenses cobraram posicionamento da Prefeitura, do 30º Batalhão da PM e do próprio governador. Uma organização de voluntários da cidade classificou o episódio como vergonha e afirmou que os animais estavam sob cuidado de uma voluntária independente, que banca medicação e acompanhamento veterinário por conta própria.

A discussão também dividiu opinião. Parte dos comentários defendeu a atuação policial, sustentando que rua não é lugar de cachorro e que os animais deveriam estar sob tutela do poder público ou de tutores. Outra parte apontou que a lei autoriza os meios necessários para cessar uma agressão em curso, seja de pessoa ou de animal, mas questionou a retirada da casinha, ato que não configura risco imediato e que, na prática, tira o abrigo sem oferecer alternativa.

O que diz a lei

O cão comunitário é uma figura prevista em legislação catarinense: trata-se do animal que não tem tutor definido, mas vive em determinada área sob cuidado coletivo de moradores, comerciantes ou voluntários, que assumem alimentação, vacinação e cuidados veterinários. Esse enquadramento impõe limites à remoção e ao abate, e é justamente o dispositivo invocado pelas protetoras.

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Até o momento, não há registro público de manifestação oficial da Prefeitura de Xaxim, da Polícia Militar ou do governo do Estado sobre o caso. Nos comentários, Pri Fernandes reforçou que seguirá na cobrança: “Jamais!!! Eles são meu motivo de estar viva! Vou lutar por eles até o fim!”

A denúncia segue circulando e o pedido de intervenção ao governador continua sem resposta.

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