A porta do salão se abriu e Ondina Rech Folster, de 79 anos, levou as mãos ao rosto. Diante dela, de vestido branco, véu e cabelo pronto, estava a neta que ela viu nascer. Era a primeira vez, em quase oito décadas de vida, que a idosa via uma neta vestida de noiva.
Bruna Folster Gonçalves Zulian, de 31 anos, é penteadista especializada em noivas há 11 anos. A família é natural de Santo Amaro da Imperatriz, na Grande Florianópolis. Foi ela quem preparou o momento, e quem escolheu quem estaria ali para vê-lo.
Durante mais de uma década, Bruna acompanhou os bastidores dos dias mais importantes da vida de outras mulheres. Prendeu cabelo de quem chorava antes de sair de casa, ajeitou véu de quem tremia na frente do espelho, ouviu histórias que só se contam no silêncio de um salão nas horas que antecedem uma cerimônia. Chegou a vez dela.
O casamento aconteceu na manhã de segunda-feira (20), no bairro Alto do Aririú, em Palhoça. Nas horas anteriores, no salão, Bruna organizou o tradicional “first look” com as madrinhas. E decidiu incluir uma pessoa a mais na lista.
A avó não sabia o que ia encontrar
Ondina entrou, olhou, e não conteve o choro. Bruna é a primeira neta da família a se casar. O sonho de ver aquela cena era antigo, guardado por anos sem data marcada para acontecer, do tipo que a família repete em almoço de domingo sem saber se um dia vira realidade.
O momento foi registrado em vídeo. A cena, curta, mostra o que uma vida inteira de convivência constrói: o reconhecimento imediato, a mão que vai ao rosto, o abraço que não precisa de explicação.
Foi essa relação construída ao longo dos anos que transformou um encontro de salão em algo maior que a própria cerimônia. Não era a noiva conhecendo o vestido. Era a avó conhecendo a neta em um lugar que ela nunca tinha ocupado.
Bruna compartilhou o vídeo nas redes sociais depois do casamento. A reação foi imediata: gente que se viu na própria avó, gente que se lembrou da que já não está, gente que reconheceu naquele choro um sentimento que dispensa tradução.
A cena passou em segundos. Para a família, entrou para a categoria das coisas que não se esquecem.
























