Um dia de semana comum, dez e meia da manhã, sem feriado nem chuva forte, e o canteiro da duplicação da BR-470 no quilômetro 53, em Blumenau, no Vale do Itajaí, estava completamente vazio. Sem máquinas, sem operários, sem nenhuma atividade. Foi esse cenário, registrado por quem passa pela região, que reacendeu entre moradores, motoristas e comerciantes o temor de uma nova paralisação em uma das obras mais aguardadas de Santa Catarina.
A denúncia partiu de moradores que acompanham o dia a dia da rodovia. Segundo relatos, as máquinas teriam sido recolhidas de forma repentina, e o local, que vinha registrando movimentação intensa, amanheceu esvaziado. A percepção de quem circula pelo trecho é de que os trabalhos perderam ritmo, e a estrutura do canteiro segue montada, mas sem ninguém trabalhando.
“Não tem máquinas, não tem nenhuma atividade, não tem nenhum trabalho acontecendo aqui, infelizmente”, relatou um dos moradores que registrou a situação no local. Segundo ele, o problema não se limita a um único ponto. “Isso não é só desse trecho, isso é uma realidade de todo o lote 3 e 4. Todas as máquinas foram recolhidas, não tem atividades acontecendo.”
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Canteiro parado no meio da semana
No trecho do quilômetro 53, onde futuramente todo o trânsito da rodovia passará pela parte superior e o tráfego local pela parte inferior, a ausência de frentes de trabalho é o que mais chama atenção. A obra, que faz parte do lote 3 da duplicação entre Gaspar e Blumenau, deveria estar em plena execução, mas o que se vê é um espaço parado no meio da semana.
Para quem depende da BR-470 diariamente, o cenário preocupa ainda mais por causa do impacto direto no trânsito, já congestionado em vários horários. A rodovia é a principal ligação entre o Vale do Itajaí e o litoral catarinense e recebe fluxo intenso de veículos, incluindo transporte de cargas e o deslocamento diário de trabalhadores.
A obra é marcada historicamente por atrasos e intervenções ao longo dos anos, o que ajuda a explicar por que a simples retirada de máquinas basta para reacender o chamado “fantasma da paralisação”. A cada sinal de desaceleração, cresce entre a população a cobrança por respostas e por previsibilidade sobre o andamento dos serviços.
DNIT nega paralisação
Procurado, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) negou que a obra tenha sido paralisada. Segundo o órgão, eventuais oscilações na movimentação das frentes de trabalho podem ocorrer em função das condições climáticas, que impactam o avanço de determinadas etapas.
O DNIT afirmou ainda que o lote 3, entre Gaspar e Blumenau, já atingiu cerca de 76% de execução e segue dentro do cronograma previsto, com conclusão estimada para 2027. O órgão também destacou o investimento de R$ 1,7 bilhão na duplicação do trecho da BR-470 entre Navegantes e o Vale do Itajaí.
Enquanto a versão oficial fala em cronograma mantido, o que a população vê no dia a dia é um canteiro sem movimento em pleno horário comercial. A distância entre o discurso e a cena registrada no quilômetro 53 mantém a cobrança por explicações como uma das principais pautas da região.

























