Logo Jornal Razão
Publicidade

“Mãe dos Pobres”, freira de SC pode virar santa: pedido de beatificação é entregue à diocese

A devoção popular por Irmã Paulina Sens começou ainda em vida e só cresceu depois da morte, em 22 de junho de 2002, aos 83 anos. Fotos: Hospital Bom Jesus

“Mãe dos Pobres”, freira de SC pode virar santa: pedido de beatificação é entregue à diocese
Foto: Reprodução
Publicidade

Ela dedicou seis décadas a cuidar de quem mais precisava em Ituporanga, no Alto Vale do Itajaí (SC). Agora, 24 anos depois de partir, a Igreja foi oficialmente provocada a dizer se Irmã Paulina Sens é, de fato, uma santa.

Na noite deste domingo (21), a Congregação das Irmãs Franciscanas de São José entregou ao Bispo da Diocese de Rio do Sul, Dom Adalberto Donadelli Júnior, o ofício que pede a possível abertura do inquérito da Causa de Beatificação da religiosa.

Publicidade

O documento foi recebido durante a Missa de Ação de Graças pelos 24 anos do falecimento dela, em uma celebração que reuniu fiéis, religiosas da congregação, familiares e pessoas que conviveram com a freira ao longo de sua trajetória.

Conhecida carinhosamente como a “Mãe dos Pobres”, Irmã Paulina chegou a Ituporanga em 1944, recém-consagrada, e ali ficou. Foram cerca de 60 anos de vida dedicados à comunidade, a maior parte deles dentro do Hospital Bom Jesus (HBJ), onde se especializou como auxiliar de enfermagem e atuou por mais de três décadas na obstetrícia, ajudando a trazer ao mundo gerações de ituporanguenses. Ao todo, somou 62 anos de serviço à instituição.

Publicidade

Quem foi a “Mãe dos Pobres”

Nascida em 30 de maio de 1919, no interior de Angelina, ela ingressou na congregação em 1939. Quando não estava no hospital, percorria a cidade: visitava famílias carentes, acompanhava doentes e ajudava a encontrar lares para crianças abandonadas.

A devoção popular começou ainda em vida e só cresceu depois da morte, em 22 de junho de 2002, aos 83 anos. Desde então, surgiram relatos espontâneos de graças alcançadas e a fama de santidade foi se consolidando, ano após ano.

Publicidade

Esse reconhecimento ganhou forma concreta com o tempo. A cidade batizou um loteamento com o nome dela em 2004; a UTI do hospital passou a se chamar UTI Irmã Paulina em 2010; e, em 2016, foi inaugurado um memorial permanente na recepção do HBJ, com fotografias, objetos pessoais e documentos. No mesmo ano, um documentário reuniu depoimentos de familiares, religiosas e pacientes.

“Fruto da oração e da escuta da comunidade”

Para Irmã Edelir Stupp, diretora do Hospital Bom Jesus e que conviveu por mais de 14 anos com a religiosa, o pedido nasce justamente dessa devoção que nunca arrefeceu.

“A fama de santidade de Irmã Paulina não surgiu agora. Ela permanece viva no coração de muitas pessoas que conviveram com ela ou que foram tocadas pelo seu testemunho de amor, serviço e dedicação aos mais pobres. Este pedido é fruto da oração, da escuta da comunidade e do reconhecimento de um legado que continua produzindo frutos.”

A emoção tomou conta da celebração. Rogério Mendonça, que foi prefeito de Ituporanga entre 1993 e 1996, lembrou como a freira batia à porta da prefeitura em nome dos mais necessitados.

“Ela ajudou a construir muitas casas para os mais necessitados e vinha por muitas vezes solicitar ajuda da prefeitura, e nós, enquanto gestão pública, ajudávamos com tijolos. Pra nós é uma alegria muito grande poder ter participado”, contou.

Entre os familiares presentes, a esperança era visível. Carlos Sens, sobrinho da religiosa, disse que o convívio era próximo e que a família acompanha tudo com confiança.

“Todos da família estão muito contentes, estamos muito esperançosos que essa beatificação vai acontecer”, afirmou.

Um caminho que pode levar anos

Ao receber o ofício, Dom Adalberto fez questão de moderar a expectativa, ressaltando que o documento marca apenas o início de um processo longo e criterioso.

“A Igreja possui critérios muito claros para analisar uma causa de beatificação. Este é um primeiro passo importante, que será acolhido e estudado com toda a seriedade necessária. É um momento significativo para a Congregação, para a Diocese e para todos aqueles que guardam com carinho a memória de Irmã Paulina Sens.”

A congregação já nomeou o Postulador Paolo Villota, que reside em Roma e fará o encaminhamento junto ao Vaticano. Segundo a presidente da Associação das Irmãs Franciscanas de São José, Irmã Zulmira Martins, a entrega representa um marco, mas também o ponto de partida de uma caminhada que exige rigor.

“Estamos dando o primeiro passo de um processo que pode levar muitos anos e que será conduzido com todo o rigor e prudência que a Igreja Católica exige. Neste momento, apresentamos oficialmente o pedido para que a vida, as virtudes e a fama de santidade de Irmã Paulina Sens sejam avaliadas pela Diocese.”

Na prática, o pedido entregue agora abre a primeira de várias etapas. Acolhida a causa, a Diocese inicia uma investigação local, reunindo documentos, escritos e testemunhos de quem conviveu com a religiosa.

Concluída essa fase diocesana, todo o material segue para o Dicastério para as Causas dos Santos, no Vaticano, onde teólogos e historiadores fazem a análise. Reconhecidas as virtudes heroicas, ela recebe o título de “Venerável”; com a comprovação de um milagre atribuído à sua intercessão, vem a beatificação e o título de “Beata”. A canonização, o reconhecimento como santa, depende de um segundo milagre.

Onde a memória segue viva

Mesmo com o processo apenas começando, o legado de Irmã Paulina continua presente em Ituporanga. Seu túmulo, no Jazigo das Irmãs Franciscanas de São José, no Cemitério Católico da cidade, recebe visitas constantes de fiéis que deixam velas, flores e pedidos de intercessão. O Memorial Irmã Paulina, no Hospital Bom Jesus, também segue aberto à visitação, reunindo uma linha do tempo de sua vida e missão.

Quem deseja comunicar graças alcançadas pode procurar a Associação das Irmãs Franciscanas de São José, na Rua Governador Celso Ramos, nº 470, Centro de Ituporanga, ou pelo e-mail testemunhos@hbj.org.br e pelo Instagram @irmapaulinasens. A próxima etapa agora depende do estudo da Diocese, que decidirá sobre o acolhimento da causa.

Receba as notícias no WhatsAppEntrar
Publicidade
Publicidade
Grupo de WhatsApp · Tempo real

Santa Catarina no seu WhatsApp

Entre no grupo oficial do Jornal Razão. As principais manchetes do dia, direto no seu aparelho. Sem spam.

Entrar no grupo
+48 mil catarinenses já acompanham