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“Taquei fogo na moto, não me arrependo”: mãe incendeia moto do filho funkeiro em Barra Velha

A mãe comprou a moto com sacrifício, em fevereiro, de presente de aniversário de 21 anos do filho funkeiro, para que ele trabalhasse e tocasse a própria vida. Depois de sete quedas e uma pilha de multas, ela tirou a gasolina do tanque e ateou fogo no veículo. Agora precisa pagar R$ 3.999 em débitos para conseguir dar baixa.

“Taquei fogo na moto, não me arrependo”: mãe incendeia moto do filho funkeiro em Barra Velha
Foto: Reprodução
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Uma mãe tirou a gasolina do tanque, despejou o combustível sobre a moto que havia dado de presente ao filho de 21 anos e ateou fogo no veículo, em casa, em Barra Velha, no Litoral Norte de Santa Catarina. A decisão veio no dia seguinte a uma discussão dentro da residência, depois de meses de cobrança por responsabilidade.

A moto foi comprada em fevereiro deste ano, com muito sacrifício, como presente de aniversário de 21 anos do rapaz, que é funkeiro. Segundo a mãe, o veículo veio com um objetivo claro: garantir que ele trabalhasse, alugasse um apartamento e tocasse a própria vida. “Nós, com muito sacrifício, compramos uma moto e presenteamos”, contou em relato ao Jornal Razão.

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Não foi o que aconteceu. O rapaz trabalhou cerca de um mês como entregador. Depois disso, segundo a mãe, a moto deixou de ser ferramenta de trabalho e virou brinquedo. “Sempre andando feito louco nessa moto, empinando roda, pegou um monte de multa na moto, porque anda feito doido na rua, não leva a sério a vida”, relatou.

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Sete quedas e uma pilha de multas

O prejuízo foi se acumulando. De fevereiro para cá, de acordo com ela, o filho caiu seis ou sete vezes. Voltava esfolado, com a moto quebrada, trabalhava alguns dias, gastava o que ganhava no conserto e acumulava novas multas. A conta terminava sempre com os pais.

A paciência acabou numa discussão dentro de casa. “Acabou minha paciência, ontem quebrei o pau com ele aqui em casa por conta disso”, afirmou.

O fogo

O desfecho da briga foi o fogo. “Acabou que eu me estressei, tirei a gasolina da moto, rebolei a gasolina tudo em cima da moto e taquei fogo”, disse a mãe, que é responsável ainda por outros três filhos, dois deles menores de idade. Ela afirma que agiu para evitar que algo pior acontecesse com o rapaz. “Pelo menos meu filho tá vivo”, disse.

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Antes de atear fogo, ela disse ter feito uma cobrança direta ao filho. “Se você não quis aproveitar o que a gente te abençoou, o que a gente com muito sacrifício te deu para que tu pudesse trabalhar, para que tu pudesse ter responsabilidade (…) agora você vai ficar sem moto e você vai se virar.”

Em seguida, expulsou o rapaz de casa. Até o momento do relato, ela afirmou não saber onde ele está.

R$ 3.999 para dar baixa no que sobrou

O problema seguinte apareceu quando ela começou a procurar o Detran em Itajaí e em Joinville para dar baixa no veículo. Ela imaginava um procedimento simples: entregar o que sobrou da moto e encerrar o registro. Um despachante informou que, antes de entregar o chassi no pátio, é preciso quitar os débitos, que somam R$ 3.999. “Somente quando eu pagar que eles podem fazer o recolhimento dos restos mortais da moto que sobrou aqui”, afirmou.

O saldo, no fim, é uma moto carbonizada no quintal, uma dívida quase igual ao valor de um veículo usado e um filho fora de casa. Ainda assim, a mãe diz que faria de novo. “Não resolvi nada, só piorei mais a situação, mas não me arrependo, taquei fogo, ele precisa de uma lição, não quer ter responsabilidade, não quer aproveitar as oportunidades que os pais, que a família, que a mãe prover para ele, então que sofra, que quebre a cara, que se vire, que eu sinceramente lavei minhas mãos.”

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