O relógio marcava oito da manhã quando a criciumense ligou a câmera dentro da cabine do veículo para registrar o começo do emprego novo. O nervosismo apareceu antes de qualquer coisa. Encostada no banco, de óculos, ela falou baixo, como quem pede licença ao dia: “Ai, tô nervosa. Calma, não. Por que iniciar é tão difícil, né?”
Em seguida veio o pedido de bênção que qualquer trabalhador brasileiro já fez em algum primeiro dia de serviço, mesmo sem gravar. “Que Jesus Maria vai na frente. Deus me abençoe. Que dê tudo certo. Que eu seja muito feliz aqui”, disse ela, no vídeo que depois seria republicado por perfis de Criciúma e de outras cidades de Santa Catarina.
A felicidade durou até o almoço.
ASSISTA AO VÍDEO
Quatro horas depois
Com a mesma câmera e o mesmo cenário, a trabalhadora reapareceu para dar a notícia que ninguém esperava do primeiro dia de trabalho de ninguém. “Gente, cancelei. Vim embora”, anunciou. Não houve drama, choro nem desabafo longo. Houve uma constatação prática, entregue no tom de quem avisa que mudou de ideia sobre o cardápio.
O motivo veio em duas frases curtas, sem meio-termo: “Não gostei. Não achei agradável o ambiente.”
Antes de sair, ela já tinha resolvido a burocracia. Contou que comunicou a decisão ao setor de recursos humanos ainda durante o expediente, com a mesma agilidade com que tomou a decisão. “E já mandei mensagem pra HR também”, afirmou. O emprego antigo, aquele que ela havia deixado poucas horas antes, virou destino imediato: “Já vou voltar lá pro outro emprego.”
A frase que ninguém entendeu
O fecho do relato é a parte que ninguém entendeu direito, e é justamente por isso que grudou.
Vou voltar pra minhas cururu.
Ela não explicou quem ou o que seriam as tais cururu. Ficou o apelido, a saudade evidente e a certeza de que, no antigo trabalho, alguém foi chamado assim com carinho.
Divisão nos comentários
O relato dividiu quem assistiu. De um lado, veio a turma que aplaudiu a decisão rápida, com o argumento de que ninguém é obrigado a permanecer onde não se sente bem. “A vida é isso, ninguém é obrigado a nada e é livre pra decidir o que achar melhor”, escreveu um internauta. Do outro, apareceu o time da resistência, resumido em duas palavras por outro comentário: “Geração Mimi.”
Houve ainda quem concordasse com a saída, mas não com o retorno. “Tá certo, eu só não voltaria pro meu antigo emprego”, ponderou um seguidor, apontando o detalhe que mais chamou atenção na história: não foi só uma demissão relâmpago, foi um retorno relâmpago também.
Nem a empresa nem o cargo foram identificados no relato, e não há registro de manifestação pública do local sobre a saída. A trabalhadora também não detalhou o que exatamente tornou o ambiente desagradável em tão pouco tempo, o que deixou a interpretação por conta de quem assistiu.
O caso entra na longa lista de vídeos catarinenses que viram assunto por retratar, sem produção nenhuma, uma cena que muita gente já viveu e não gravou: a distância entre a expectativa do primeiro dia e a realidade do primeiro intervalo. A diferença é que, aqui, essa distância coube em quatro horas e num almoço.
























