Natural do Pará e há mais de dez anos morando em Santa Catarina, uma jovem gravou um desabafo que viralizou ao apontar um incômodo antigo: o de que, no estado, todo problema costuma recair sobre quem chegou de fora.
Em conversa com o Jornal Razão, ela relatou que vive há mais de uma década em Santa Catarina e que decidiu se manifestar depois de assistir ao vídeo de um catarinense que, segundo ela, tocava no assunto de forma indireta. “Eu não sou burro, eu sei interpretar”, disse, explicando que enxergou nas entrelinhas a mesma lógica que critica.
Para a jovem, a conta nunca fecha do mesmo jeito para quem é de fora. “Aqui tudo que acontece de ruim nunca é culpa do catarinense, sempre é culpa de um imigrante”, afirmou. Segundo ela, a mesma lógica se repete em tudo: se alguém matou, foi um imigrante; se roubou, foi um imigrante; se a cidade está suja, a culpa também recai sobre quem migrou.
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No relato, ela fez questão de separar o que critica do que respeita. Deixou claro que não estava falando mal do estado nem generalizando a população catarinense, e que o alvo é o comportamento de uma parcela específica de pessoas. “Alguns catarinenses têm a síndrome da perfeição”, afirmou, pedindo que esse grupo repense a postura.
A jovem também rebateu a ideia de que a arrogância teria sido trazida de fora. Para ela, o problema é interno e antigo.
A prepotência tá aqui mesmo, a arrogância tá aqui mesmo dentro do estado. E não foi o imigrante que trouxe não, querido, vocês já cresceram com isso.
No fim, ela resumiu o recado aos que se sentem superiores, pedindo que reconheçam as próprias falhas em vez de projetá-las em quem vem de outros estados. “Assumam que vocês não são perfeitos”, concluiu, reforçando que a crítica se dirige a “alguns seres humanos prepotentes”, não ao conjunto dos catarinenses.
A repercussão nos comentários mostrou que o desabafo tocou num nervo exposto. Boa parte das respostas veio de catarinenses concordando com ela. “E é pura verdade. E olha que sou catarinense”, escreveu uma seguidora.
Uma moradora de Navegantes, no Litoral Norte, foi além e relatou ter sofrido xenofobia dentro do próprio estado ao ocupar um cargo de gestão escolar. Segundo o relato, ela enfrentou um movimento contrário à sua permanência no cargo sob o argumento de que seria preciso ser da cidade para ocupá-lo, e citou episódios de preconceito contra alunos de outras regiões do Brasil e estrangeiros.
Nem toda reação foi de concordância. Parte dos comentários rebateu a jovem, sugerindo que ela mudasse de estado caso estivesse insatisfeita e afirmando que situações como essa existem em qualquer lugar do país. O embate acabou virando, ele próprio, um retrato do assunto levantado pelo vídeo: a tensão entre nativos e quem escolheu Santa Catarina para viver.
O caso reacende um debate recorrente nas redes catarinenses sobre pertencimento, preconceito regional e a relação entre moradores nativos e a população que migrou para o estado ao longo dos anos.























