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“Você foi um guerreiro”: irmão faz homenagem a empresário catarinense e mostra tatuagem feita ainda em vida

Marcos Vinícius Cabral tatuou o peito com o nome do irmão ainda em vida e foi ao hospital mostrar. Um dia após a morte, publicou a foto da tatuagem e uma carta aberta que viralizou em SC.

“Você foi um guerreiro”: irmão faz homenagem a empresário catarinense e mostra tatuagem feita ainda em vida
Foto: Reprodução
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Antes do câncer levar Jean Cabral, o irmão dele quis que ele visse. Marcos Vinícius Cabral tatuou o peito ainda com Jean vivo, com o nome do irmão em preto, a frase “meu irmão, meu eterno amigo”, a silhueta dos dois lado a lado e o símbolo do infinito, e foi mostrar ao empresário no hospital. Jean, debilitado pela doença que o consumia havia seis meses, se emocionou ao ver a homenagem gravada na pele do irmão mais novo. Um dia depois da morte, Marcos voltou às redes sociais, publicou a foto da tatuagem e uma carta aberta que virou uma das publicações mais comentadas em Santa Catarina nesta semana.

Jean Cabral, empresário de 31 anos e morador de Palhoça, morreu na quarta-feira (1º) depois de enfrentar por seis meses um câncer raro no peritônio. Ele era fundador da Kbrau Caneleiras, marca catarinense de caneleiras personalizadas usadas por jogadores como Wesley, Roberto Firmino e Raphinha. A trajetória do empreendedor e a serenidade com que assumiu publicamente o diagnóstico já haviam mobilizado uma onda de comoção. Foi a carta do irmão, publicada horas depois do velório no Crematório Catarinense, que devolveu a história ao topo do feed dos catarinenses.

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A carta aberta

O texto tem título e data no topo. “01/07/26 – Carta aberta a meu irmão.” Começa reconhecendo a dor e o alívio do fim do sofrimento.

Infelizmente no dia de hoje você acabou nos deixando, logicamente não é o que a gente quer, perder alguém que a gente tanto ama. Mas sabemos o tanto que você estava sofrendo nesses últimos dias, e agora você descansou.

O parágrafo seguinte é o que mais tocou quem leu. Marcos descreve o vazio das mensagens que não vão mais chegar, das conversas que não vão mais existir, do contato que se rompeu de vez. Diz que a ficha só agora começa a cair. Depois, retoma a fé que sempre carregou.

Sempre acreditei em Deus e tenho certeza que ele criou a história de cada um. Você foi um guerreiro e deixou um legado tão grande pra gente, inspirou outras pessoas a lutar pela vida, uniu pessoas que estavam distantes, uniu ainda mais nossa família, talvez esse tenha sido seu legado aqui na terra.

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Ele agradece pelos ensinamentos, especialmente durante os seis meses de batalha contra o câncer, e diz ter se tornado uma pessoa melhor por causa do que viveu ao lado do irmão. A carta se encerra em tom de rendição diante do inexplicável.

Espero que Deus te receba de braços abertos e que você encontre a paz. Pra mim tá sendo bem difícil entender tudo isso, não consigo compreender. Te eternizei em minha pele pois você merece, você é um campeão! Te amo demais, fica com Deus.

A tatuagem que Jean chegou a ver

A tatuagem que acompanha o texto cobre parte do peito, do lado do coração. A assinatura de Jean aparece na parte superior, no traço original da caligrafia dele, algo que muitos comentários fizeram questão de destacar. Abaixo, a frase, os dois desenhados de mãos dadas e o símbolo do infinito ao lado direito, sobre a costela. Marcos fez a homenagem ainda com o irmão vivo justamente para que Jean pudesse vê-la. E viu. A cena da visita ao hospital, com o irmão mais novo tirando a camisa para mostrar a arte pronta, foi um dos momentos que a família carregou para os últimos dias.

Repercussão em SC

Nos comentários da publicação, a onda foi imediata. Um dos mais curtidos veio da Choppgueira, torcida do Figueirense, com uma mensagem de solidariedade em nome do grupo. Torcedores do Avaí, amigos da família e conhecidos do meio empresarial catarinense se somaram. Muitos relatos são de pessoas que perderam alguém para o câncer e escreveram parágrafos inteiros sobre os próprios lutos, como se a carta de Marcos tivesse aberto uma comporta.

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Outros nem conheciam Jean. Perfis catarinenses replicaram a homenagem, e páginas de notícias transformaram o gesto em pauta. A repercussão fez com que o assunto ultrapassasse o círculo de amigos e familiares e chegasse a leitores de todo o estado que passaram a conhecer, só agora, a história do empresário e da marca de caneleiras que ele construiu do zero em Palhoça.

Jean deixou a esposa, Jenifer, e o filho, Cauã. O velório aconteceu no Crematório Catarinense, em Palhoça, nesta quarta-feira, em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos. A família tem agradecido publicamente as mensagens que continuam chegando.

O legado que Marcos citou na carta parece ter começado a se cumprir antes mesmo do luto acabar. A postura de Jean diante da doença virou tema recorrente entre quem acompanhou a trajetória dele. E, tatuada no peito do irmão mais novo desde antes da despedida, virou também marca física, das que não saem mais.

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