O influenciador digital César Rincon, morador de Santa Catarina, virou alvo de críticas nas redes sociais após publicar um vídeo participando de uma ação de controle populacional de javalis na Estância da Barra, no Rincão de São Miguel, em Alegrete, no Rio Grande do Sul. Na legenda, comemorou: “Dia finalizado com 124 abates! Sem caçada noturna!”.
Ativistas e defensores dos animais atacaram a publicação nas redes, acusando o influenciador de estimular crueldade contra animais. Do lado oposto, produtores rurais manifestaram apoio e destacaram que a espécie provoca danos constantes em lavouras e pastagens. Relatos indicam que, somados os dois dias de operação, foram mais de 150 animais abatidos.
Rincon, de 26 anos, instalou-se em Santa Catarina no início de 2026, onde mantém um rancho de alto padrão em Araranguá. A ação no Rio Grande do Sul foi realizada ao lado de produtores rurais locais, em propriedade particular, dentro do que a legislação brasileira define como controle populacional de espécie invasora.
A prática tem respaldo legal. No Brasil, a caça esportiva é proibida, mas o controle populacional do javali-europeu é autorizado pela legislação federal. O Ibama classifica o animal como espécie exótica invasora e a União Internacional de Conservação da Natureza o coloca entre as cem piores espécies invasoras do mundo. Sem predadores naturais no país e com alta capacidade reprodutiva, o javali destrói lavouras, revira o solo, compromete nascentes e representa risco sanitário para rebanhos e seres humanos.
Em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello sancionou a Lei 18.817/2023, que autoriza o abate por meio de caça, armadilhas ou outros métodos aprovados por órgão ambiental. A norma foi aprovada após pressão do agronegócio, que apontava a presença do animal em 57% dos municípios catarinenses e estimativas de mais de 100 mil javalis no território estadual.
A lei, no entanto, é contestada judicialmente. O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal, argumentando que a norma teria na prática autorizado a caça desportiva. A ação foi distribuída ao ministro Kassio Nunes Marques, que solicitou informações à Assembleia Legislativa de SC. O mérito ainda aguarda julgamento.
























