O relógio marcava 0h47 quando Frei Gilson finalmente subiu ao palco da Arena de Eventos do Pontal, em Navegantes, diante de uma multidão de aproximadamente 100 mil pessoas que atravessou a madrugada sem arredar o pé. A primeira frase resumiu a saga do dia: “Boa noite, Navegantes. Foi difícil, mas deu certo.”
O religioso pediu que cada um olhasse pra quem estava do lado e repetisse a frase. “Olha pra quem tá do seu lado e diga: foi difícil, mas deu certo”, disse, arrancando gritos da multidão que esperava por ele desde a tarde. Houve quem chegasse muito antes: “Tem gente que tá aqui desde as quatro da manhã”, reconheceu o frei, antes de revelar o tamanho da própria jornada: “Eu e Dom José estamos tentando vir pra cá desde as oito da manhã.”
A viagem foi uma novela. A neblina que encobriu a região impediu o pouso do avião em Navegantes na primeira tentativa, e a aeronave precisou retornar a São Paulo. Um helicóptero chegou a ficar de prontidão em Florianópolis para levar o religioso ao Litoral Norte, mas o desvio não foi necessário: na nova tentativa, já no fim da noite, o pouso em Navegantes deu certo, e a comitiva seguiu direto do aeroporto para a arena.
Ave Maria em coro
No palco, Frei Gilson brincou com o público, testou se o pessoal do fundo conseguia escutar e puxou uma Ave Maria rezada em coro pela multidão, sem microfone. “Estamos em Navegantes. Daqui a pouco começa o Rosário da Madrugada. Meia-noite e quarenta e sete”, anunciou, perguntando se o público estava pronto.
O religioso fez questão de agradecer, um a um, todos os que se mobilizaram para que a apresentação acontecesse. “Quero agradecer a Dom Rafael pela acolhida. Uma salva de palmas para o bispo de vocês, maravilhoso. Aqui até essa hora. Jamais imaginava que o bispo ia me receber aqui”, disse, referindo-se ao bispo da Diocese de Blumenau, Dom Rafael Biernaski.
“A todos que movimentaram tanta coisa para eu chegar até aqui. Não foi fácil. Deus abençoe as famílias, os colaboradores. Todos que fizeram alguma coisa. O padre, a paróquia”, continuou.
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Um dos motivos da vinda
O frei chamou ao palco Dom José Negri e revelou o motivo especial da vinda a Santa Catarina. “O bispo que já foi de vocês, agora é meu. Agora é nosso. Uma salva de palmas para Dom José Negri. Eu estou aqui por causa dele. Para comemorar também vinte anos de bispo e quarenta de sacerdote”, declarou.
Antes de dar início à celebração, ainda pediu o acolhimento do público ao ministério Som do Monte: “Queria que vocês acolhessem também o meu ministério de música, que também fez um serviço.”
O show nacional encerra a Festa da Família, promovida pelo Santuário de Nossa Senhora dos Navegantes em parceria com a Prefeitura, dentro da programação do Dia dos Avós, celebrado no domingo (26). A multidão ocupou a arena desde a abertura dos portões, às 14h, e passou a tarde e a noite entre orações, terços e shows de abertura, à espera do momento que só chegou já na madrugada, mas chegou. Foi difícil, mas deu certo.

























