Sem mensagem de texto. Sem foto. Sem figurinha aleatória. A regra de um grupo de WhatsApp criado por estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina é tão simples quanto inusitada: ali, ou você assobia, ou está fora.
A comunidade foi batizada de “grupo de assobiadores UFSC” e funciona exatamente como o nome promete. Quem entra só pode mandar áudios de assobio, sons parecidos com assobio ou figurinhas que façam referência ao tema. Qualquer mensagem de texto é apagada na hora, e a reincidência tem um único desfecho: banimento.
Brincadeira de campus que furou a bolha
O grupo foi criado em 19 de abril pelo estudante de Química Gabriel Martinez, inspirado em dinâmicas parecidas que já existiam em outras localidades. O que começou como brincadeira de campus furou a bolha rapidamente. Na terça-feira, a comunidade já reunia mais de 740 membros, e não só de Florianópolis: havia gente do Paraná, da Bahia e de São Paulo trocando assobios na mesma conversa.
A administração fica por conta de um grupo de estudantes, e uma das responsáveis é Rhayane Wenzel Rockstroh, também aluna de Química. Foi ela quem resumiu, em entrevista ao g1, como a moderação funciona na prática.
“A principal regra é não falar sobre nada que não seja assobiando. Ou você manda áudios de assobio, ou você manda figurinhas de assobio. O pessoal é bem de boa com isso. A maioria entende as regras. Mas tem um ou outro que vai lá e manda uma mensagem de texto; a gente apaga a mensagem e avisa: se mandar de novo, é banido”, explicou.
Crescimento orgânico
O crescimento foi acelerado. Segundo Rhayane, houve dias em que mais de 50 pessoas entravam na comunidade, tudo de forma orgânica, com os próprios alunos compartilhando o link entre si. Apesar do nome, o grupo não tem vínculo oficial com a UFSC, é uma iniciativa espontânea dos estudantes.
E o resultado entrega o que a proposta sugere. Quem entrou no grupo encontrou uma variedade surpreendente de tons e andamentos: tem quem solte sons aleatórios e quem capriche na melodia de músicas famosas, transformando a conversa em uma espécie de coral improvisado, só que sem uma palavra escrita.
A regra do silêncio textual não impede a comunicação. Pelo contrário, criou uma linguagem própria, em que o assobio vira a única forma aceita de dizer alguma coisa, e onde escrever, justamente o que todo mundo faz o tempo todo no aplicativo, é o que está proibido.























