A parede era pra ser só um detalhe bonito. Dezenas de cerejas 3D vermelhas, feitas de material leve, coladas uma a uma como identidade visual de um bar no Centro Leste de Florianópolis. O problema é que, uma a uma, elas começaram a sumir. E quando a dona do estabelecimento resolveu gravar um vídeo desabafando sobre o furto persistente da própria decoração, o que era pra ser um lamento particular virou um dos assuntos mais comentados da internet catarinense.
O bar é o Cereja, na capital, e a proprietária relatou nas redes sociais que os clientes estariam levando embora as cerejas decorativas que dão nome e cara ao lugar. No vídeo que viralizou, ela aparece segurando uma das peças e resume a situação com a frase que virou bordão: “ainda estão roubando nossas cerejas”. A publicação passou das 100 mil curtidas e se espalhou para além de Florianópolis.
O tom leve do desabafo foi o que transformou o caso em fenômeno. Longe de uma denúncia dramática, a dona tratou o assunto com humor, e a internet respondeu na mesma moeda. A caixa de comentários virou uma enxurrada de sugestões, piadas e soluções mirabolantes para o mistério das cerejas que não param na parede.
Chuva de ideias
Entre as ideias, teve de tudo. Gente sugerindo instalar câmera apontada para a parede e expor quem leva, no melhor estilo “velho da Havan”. Gente propondo transformar o furto em conteúdo, batizando a série de “O ROUBO DA CEREJA”. Teve quem sugerisse vender as cerejas ou dá-las de brinde com um drink específico do cardápio, quem defendesse criar um “ecossistema de cerejas” com troca por bebida, e até quem lembrasse dos antigos copinhos de caveira de tequila que nunca sobravam no fim da noite.
O caso também rendeu reflexão. Em meio às brincadeiras, apareceram comentários apontando o incômodo de que, entre tantas sugestões, quase nenhuma fosse simplesmente “parem de roubar”. Uma seguidora resumiu a estranheza de como as pessoas normalizaram o errado, enquanto outra questionava, em letras garrafais, o motivo de alguém querer levar para casa uma cereja de isopor.
A resposta da dona
A própria dona do bar entrou na onda e respondeu aos comentários com bom humor, convidando o público a conhecer a parede, tomar bons drinks e, claro, deixar as cerejas quietas. Em uma das respostas, ela reforçou o convite para que as pessoas visitem o espaço e ajudem a “repor as cerejinhas”, mantendo o tom bem-humorado que fez o vídeo estourar.
O episódio se soma a uma tradição catarinense de negócios locais que viram meme e transformam pequenos perrengues do dia a dia em marketing espontâneo. Sem gastar um centavo em publicidade, o bar do Centro de Florianópolis ganhou alcance nacional graças a um punhado de cerejas de isopor e ao carisma de quem soube rir do próprio prejuízo.
Por enquanto, as cerejas seguem sumindo, e a parede segue sendo reposta. O que já é certo é que o bar entrou no mapa de muita gente que nunca tinha ouvido falar dele, provando mais uma vez que, na internet, até uma cereja roubada pode valer ouro.















