A cidade de Chapecó, no oeste de Santa Catarina, viveu na tarde desta quarta-feira, dia 24, um dos momentos mais aguardados desde a última segunda. O avião com o pequeno César Cella, de 11 anos, finalmente decolou rumo a Florianópolis. O menino, que sofreu queimaduras em cerca de 80% do corpo enquanto aprendia o ofício de soldador ao lado do trabalho do pai, deixou o Hospital Regional do Oeste depois de dias de luta na UTI, e segue para o Hospital Infantil Joana de Gusmão, referência estadual em queimados, onde dará sequência ao tratamento.
A decolagem desta quarta veio depois de uma terça-feira marcada pela frustração. No dia anterior, dia 23, uma aeronave do serviço aeromédico chegou a Chapecó com a missão de transferir o menino. A previsão de saída era às 14h52. A equipe do SAMU chegou a se deslocar até a unidade hospitalar para efetuar a transferência, mas a condição clínica do garoto impossibilitou o transporte com segurança. O voo foi cancelado e a cidade, que já estava em corrente de oração, segurou a respiração.
A confirmação de que César teve condições de viajar veio em uma publicação que viralizou em minutos. Vinte minutos depois da decolagem, perfis locais informavam que o avião havia deixado Chapecó com destino à capital. Em uma cidade que já vinha rezando há dias, a notícia se espalhou em correntes de WhatsApp, status, mensagens entre vizinhos e dezenas de comentários nas redes sociais.
Aprendendo o ofício do pai
A história começou na tarde da segunda-feira, dia 22, em um imóvel anexo a uma residência utilizado para atividades de serralheria, na rua Laguna, no bairro Eldorado. Conforme a Polícia Militar, testemunhas relataram que faziam um serviço de soldagem quando o menino se deslocou para os fundos do terreno. Em determinado momento, uma das pessoas presentes percebeu o garoto segurando um recipiente. Pouco depois, viu o pequeno com o corpo em chamas. O pai, de 45 anos, não estava no local no momento do acidente, e contou à polícia que o filho estava aprendendo atividades relacionadas à soldagem.
Foi esse detalhe que comoveu Chapecó desde o primeiro dia. Um menino que tentava aprender cedo o trabalho do pai, em um espaço que era ao mesmo tempo a casa e o ganha-pão da família. Esse contexto, somado à gravidade das queimaduras, transformou o caso em algo que ultrapassou os limites do bairro.
A frase que parou a cidade
Durante o resgate, uma cena marcou profundamente quem estava no local. Em meio à dor que sentia, em um pedido que partiu o coração de todos, o pequeno teria dito uma frase que atravessou a cidade.
“Me desmaia… pois tenho dor”
A frase foi parar nas redes sociais, em comentários, em conversas de WhatsApp, em mesas de famílias inteiras. Foi a partir dela que a comoção tomou conta de Chapecó.
O menino foi encontrado consciente e orientado, mas com queimaduras extensas e comprometimento das vias aéreas. Os bombeiros prestaram os primeiros socorros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência o conduziu ao Hospital Regional do Oeste, onde permaneceu internado em estado grave na UTI, sob cuidados intensivos.
A corrida até o Joana de Gusmão
Agora, com a transferência em curso, o caminho passa por Florianópolis. O Hospital Infantil Joana de Gusmão é o principal hospital de referência da região Sul no atendimento de pacientes pediátricos e em queimados. Uma enfermeira da cidade contou em redes sociais que tem familiar que enfrentou processo semelhante de recuperação de queimaduras graves e reforçou que Chapecó, apesar de ser uma cidade estruturada, não tem especialização e nem especialista em queimadura, e o Joana de Gusmão é o único hospital de referência com que a região conta para casos como esse.
Uma cidade de joelhos
Enquanto César voa rumo à capital, Chapecó segue de joelhos. Vizinhos, conhecidos e moradores que sequer conhecem o garoto pessoalmente se uniram em correntes de oração desde o primeiro dia. Nas redes sociais, dezenas de mensagens repetem pedidos de misericórdia e palavras de fé. Uma prima do garoto, em uma publicação que viralizou, pediu oração pelo “primo Cesinha”, apelido que pegou em toda a cidade.
A família também iniciou uma corrente do bem para ajudar nos custos diários do tratamento. As despesas, que já não eram poucas durante a internação em Chapecó, vão aumentar agora com a transferência. Hospedagem, deslocamento e o tempo indefinido de tratamento em Florianópolis pesam no orçamento de uma família que viu a rotina virar de cabeça para baixo em segundos. Toda ajuda, segundo familiares, faz diferença neste momento.
As circunstâncias da explosão seguem sob apuração. A Seção de Investigação de Incêndio do Corpo de Bombeiros Militar, junto das polícias Civil e Científica, foi acionada para a perícia no local e para apurar as causas do acidente. O imóvel foi isolado logo após a ocorrência.
A previsão é de que César dê entrada nas próximas horas no Hospital Infantil Joana de Gusmão, onde passará por avaliação especializada e seguirá com o tratamento. A família e a cidade aguardam notícias com a mesma fé que mobilizou Chapecó nos últimos dias. O voo decolou. A oração continua.
Como ajudar
A família disponibilizou um PIX para quem quiser contribuir com os custos do tratamento.
PIX: 05347075996
Alesandra Cristina da Silva Cella
Quem não puder doar, pode ajudar compartilhando a corrente de fé e solidariedade.



























