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Você sabia que Santa Catarina tem um “cemitério de vagões” escondido numa estação parada no tempo

Inaugurada em 1963 como ponta da linha Tronco Sul, a Estação da Lomba, em Ponte Alta, virou um "cemitério de vagões" que atrai curiosos. A estação e a vila estão abandonadas, mas a linha ainda opera esporadicamente para cargas.

Você sabia que Santa Catarina tem um “cemitério de vagões” escondido numa estação parada no tempo
Foto: Reprodução
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Escondida no interior de Santa Catarina, uma estação de trem que já foi peça estratégica no desenvolvimento da região hoje resiste tomada pelo mato, com vagões enferrujados parados no pátio e o silêncio no lugar do movimento. O cenário, apelidado de “cemitério de vagões”, virou atração para quem se aventura pela serra e sempre esbarra nas mesmas perguntas: por que ninguém reativa essa ferrovia? E por que não vendem logo tudo como sucata?

O lugar é a Estação da Lomba, no município de Ponte Alta, na serra catarinense, a cerca de 14 quilômetros do centro da cidade, com acesso por estrada de chão. Ela foi inaugurada em 1963, como ponta da linha Tronco Sul, uma das principais ligações ferroviárias do Sul do Brasil, e serviu de último ponto da ferrovia até a abertura da estação de Lages, no ano seguinte. Por ali passavam trens carregados de madeira e outras cargas que ajudavam a movimentar a economia da região.

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Vídeo: @alexnepomuceno.drone

O abandono

Com o passar dos anos, o transporte ferroviário foi perdendo espaço para as rodovias e para as mudanças no perfil de escoamento de cargas. A estação e a vila ao redor acabaram abandonadas, e a natureza tomou conta dos trilhos. O que restou foram os vagões velhos e enferrujados espalhados pelo pátio, um túnel escondido entre a mata e um cenário que muita gente compara a filme pós-apocalíptico.

Um detalhe importante para quem visita: apesar do estado de abandono da estação, a linha ainda opera esporadicamente no transporte de cargas. Por isso, é preciso atenção ao caminhar pelos trilhos, que não estão completamente desativados.

Por que não reativam

A pergunta sobre a reativação plena tem uma resposta que vai muito além de reformar o prédio. Seria preciso recuperar quilômetros de trilhos, pontes e sistemas de sinalização, além de comprovar que a linha teria demanda suficiente para justificar um investimento altíssimo. Sem isso, o projeto não sai do papel.

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Já a ideia de simplesmente vender a estrutura como ferro-velho esbarra na lei. Boa parte do conjunto integra o patrimônio ferroviário federal, herança da extinta Rede Ferroviária Federal, e depende de processos legais antes que qualquer remoção ou venda possa acontecer. Ou seja, não é só chegar e desmontar.

Um museu a céu aberto

Enquanto o impasse não se resolve, a Estação da Lomba segue como um dos cenários ferroviários mais fascinantes de Santa Catarina, tratada por muitos visitantes como um verdadeiro museu a céu aberto. É lembrança viva de uma época em que os trens eram fundamentais para conectar cidades e movimentar a economia da serra.

O debate sobre o destino do lugar divide opiniões. Há quem defenda a recuperação da malha para o transporte de cargas pesadas, hoje concentrado nas rodovias, e quem enxergue no turismo uma forma de resgatar a história ferroviária da região, transformando a estação em ponto de visitação. A discussão, por enquanto, fica com quem passa por ali e se pergunta o que aquele lugar poderia voltar a ser.

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