Ele começa o vídeo se apresentando com meia dúzia de nomes, entre eles “João Lula” e “João Indeciso pra Governador”, e não deixa dúvida sobre o único ponto em que decidido está: “é Lula, chapa inteira PT”. O morador do bairro Getúlio Vargas, em Curitibanos, no Planalto Serrano catarinense, gravou um depoimento de apoio ao petista que voltou a viralizar nas redes, misturando gratidão sincera, história de vida e um pedido que arranca o sorriso de quem assiste.
O registro é de uma eleição passada, quando o petista disputava o Planalto, mas voltou a rodar entre os catarinenses pelo tom espontâneo do personagem. O relato dele é uma linha do tempo do próprio bolso. Conta que, no início, trabalhava numa firma da cidade e fazia a pé a reta até o centro para pagar as contas. Foi ao longo dos governos do PT, segundo ele, que a vida mudou de patamar. “Daí eu já fui ter mais respeito na empresa, pagam um pouquinho melhor, daí comprei uma motinho”, relembra, antes de listar a evolução: da moto ao primeiro carro zero.
O que segura a atenção é a honestidade da conta que ele mesmo apresenta. Sobre o carro novo, não esconde nada: “paguei o valor de dois, mas paguei, quem não paga a conta é veiaco”. Para ele, o mérito do ex-presidente não foi ter dado nada, e faz questão de frisar isso. “Ele deu crédito pra nós pobres, ele não deu nada dado pra mim, eu não ganhei nada dado do Lula”, diz, resumindo a lógica com a frase que batizou o vídeo: “o cara é o cara”.
O pedido ao “papai Lula”
E então vem o pedido que transforma o depoimento em fenômeno. No meio de tanto elogio, o morador aproveita a deixa para cobrar diretamente do presidente uma melhora nos preços. “Agora, já aproveitando, meu papai Lula, aproveita e dá uma barateada nos carros pra nós ir nas casas, pra nós especialmente o aposentado que ganha salário mínimo”, pede. Ele conta que chegou a pesquisar os modelos que estão chegando da China, se animou com o visual, mas travou na hora de olhar a etiqueta. “Tem uns carros bonitos aí que tá vindo da China, mas eu fui ver o preço.”
O apoio dele tem raiz numa infância dura, que ele descreve sem rodeios para justificar o voto. Lembra que ia à escola de pé no chão e que não ganhava nem um chinelo de dedo, e é a partir dessa memória que faz seu apelo aos eleitores de primeira viagem. “Vocês que vão votar a primeira vez, pense bem”, diz, defendendo que o partido está do lado do trabalhador.
Entre um nome e outro, uma história de crédito e um puxão de orelha carinhoso no “papai Lula”, o morador do Getúlio Vargas se despede do jeito que abriu, sem soltar a bandeira: “aqui é o João Lula, tchau, fui”.
























