Dois shows gratuitos no mesmo fim de semana, dois cenários completamente diferentes. Enquanto o Rio de Janeiro amargava cenas de tumulto, barreiras derrubadas e uso de extintor de incêndio em um evento promovido pela TV Globo, Florianópolis encerrava a noite com uma multidão na Beira-Mar Continental, espetáculo de fogos sincronizado com a Ponte Hercílio Luz e registros de organização que viralizaram nas redes sociais pelo motivo oposto: elogios.
Na noite de sexta-feira (15), o Festival LED, Luz na Educação, promovido pela TV Globo e pela Fundação Roberto Marinho, terminou em confusão generalizada na Zona Portuária do Rio de Janeiro. O show gratuito da cantora Marina Sena, marcado para encerrar o primeiro dia do evento no Boulevard Olímpico, virou caso de polícia depois que fãs barrados na entrada tentaram derrubar uma estrutura usada como barreira. Segundo relatos publicados nas redes sociais, a organização teria distribuído um número de ingressos muito superior à capacidade do local.
“Liberaram quase 10 mil ingressos para um evento em que só cabiam 2 mil pessoas, resultando em uma fila imensa, no calor do Rio e ainda com o risco de assalto. Fomos avisados que as pulseiras tinham esgotado depois que os fãs se empurraram”, relatou um dos fãs presentes, conforme publicações nas redes sociais. Vídeos do tumulto circularam massivamente no X e no Instagram. Em alguns ângulos, é possível ver uma estrutura sendo derrubada e seguranças intervindo. Há relatos de que um extintor de incêndio chegou a ser acionado durante a confusão.
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A Polícia Militar do Rio de Janeiro informou, em nota, que a segurança interna do evento ficou a cargo de uma empresa privada de vigilância patrimonial.
A equipe de Marina Sena se manifestou no Instagram após a repercussão. Em nota, afirmou que “a gestão de ingressos e a retirada de pulseiras do Festival LED, realizado na sexta-feira, 15 de maio de 2026, foram coordenadas pela própria organização do evento”. O DJ Zé Pedro, que também se manifestou publicamente, criticou a organização. “Marina Sena é hoje uma das artistas de maior visibilidade da música pop brasileira. Então por que um evento convoca uma multidão dessa dimensão para um show ‘gratuito’ com distribuição limitada de senhas e acesso cercado por barreiras? Entrada franca deveria significar acesso real, espaço aberto e experiência digna, não filas humilhantes, exclusão e contenção”, escreveu.
A noite catarinense
Vinte e quatro horas depois, do outro lado do país, Florianópolis vivia o cenário oposto. Na noite de sábado (16), a cantora britânica Joss Stone, vencedora do Grammy, subiu ao palco montado na Beira-Mar Continental para o show principal das comemorações dos 100 anos da Ponte Hercílio Luz, organizado pela Prefeitura da Capital. A apresentação foi gratuita e sem necessidade de retirada de ingressos.
O palco montado pela organização tinha cerca de 14 metros de altura e foi posicionado estrategicamente para que a Ponte Hercílio Luz aparecesse iluminada como pano de fundo durante toda a apresentação. Conforme registros oficiais, é o maior palco já montado para um evento público em Florianópolis. A iluminação cênica da ponte, que recebeu investimento de R$ 9 milhões executado pela Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade, funcionou sincronizada com o setlist da artista.
A Prefeitura de Florianópolis havia estimado um público de aproximadamente 100 mil pessoas para a celebração. Em vídeos divulgados após o evento, é possível ver a Beira-Mar Continental tomada pela multidão, com famílias, grupos de amigos e turistas dividindo o mesmo espaço.
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A operação que deu certo
Diferente do que ocorreu no Rio, o esquema de Florianópolis foi montado em conjunto pela Prefeitura, Guarda Municipal e Polícia Militar de Santa Catarina, com cercamento em todo o perímetro, monitoramento por câmeras de reconhecimento facial, três entradas oficiais com revista obrigatória e linha exclusiva de ônibus partindo do Terminal de Integração do Centro a cada 15 minutos.
A organização também distribuiu pulseiras de identificação para crianças e adolescentes, montou área específica para pessoas com deficiência e disponibilizou mais de 200 banheiros químicos, segundo dados divulgados pela Prefeitura. Até o fechamento desta reportagem, não havia registros de tumulto, confusão na entrada ou intervenções emergenciais durante o evento.
Joss Stone abriu o show com a música “You Had Me” e, durante a apresentação, vestiu uma camisa da Seleção Brasileira e interagiu com o público ao lado da grade. Após o encerramento, por volta das 21h15, o público acompanhou cerca de cinco minutos de fogos de artifício e 15 minutos de efeitos luminosos distribuídos em balsas posicionadas em torno da Hercílio Luz.
Impacto econômico em Florianópolis
Conforme dados divulgados pelo Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Florianópolis, as reservas na rede hoteleira para o fim de semana do show cresceram quase 30% em relação ao fim de semana anterior, com ocupação média geral de 47,7% nos leitos disponíveis. Ao menos 760 unidades hoteleiras localizadas no Centro da Ilha estavam reservadas para o sábado, conforme divulgação da Prefeitura.
No Airbnb, segundo a própria plataforma, as reservas para Florianópolis no dia do espetáculo cresceram 22% em comparação ao mesmo período de maio de 2025.
“Apostamos em um evento à altura, que despertou interesse dos manezinhos, mas também de públicos de cidades vizinhas e até de outros estados, com uma ocupação considerável. Com certeza veremos um impacto positivo em toda a cadeia de serviços, movimentando a economia do município”, afirmou o secretário de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação de Florianópolis, Juliano Richter Pires.
O contraste
Os dois eventos compartilharam algumas características: foram gratuitos, ocorreram no mesmo fim de semana, envolveram artistas de relevância e atraíram grande público. As diferenças apareceram na execução. No Rio, o evento foi organizado pela TV Globo e pela Fundação Roberto Marinho, com segurança terceirizada. Em Florianópolis, a operação foi conduzida pela Prefeitura em parceria com forças de segurança pública, incluindo a Polícia Militar de Santa Catarina e a Guarda Municipal.
Enquanto no Rio relatos de fãs falavam em superlotação, calor, fila desorganizada e tentativa de invasão por gente que ficou de fora, em Florianópolis os registros nas redes sociais predominantemente destacaram a estrutura, a sincronização entre o show e a iluminação da Ponte Hercílio Luz e o caráter familiar do evento.
O caso do Festival LED segue repercutindo nas redes sociais e em portais nacionais. A equipe de Marina Sena disse que a gestão de ingressos não passou pelo grupo da artista. Em Florianópolis, a Prefeitura prepara as próximas atrações da programação dos 100 anos da Ponte Hercílio Luz, que segue até o fim de maio.

























