Embaixo de um pneu velho largado no jardim, enrolada e imóvel, estava um dos animais mais peçonhentos do Brasil. A cena, registrada em vídeo em uma residência de Jaraguá do Sul, no Norte catarinense, terminou com o resgate de uma coral-verdadeira pelo biólogo Christian Raboch Lempek.
O chamado partiu dos próprios moradores. Segundo o biólogo, a família encontrou a serpente no jardim da casa e acionou ajuda especializada em vez de tentar retirar o animal por conta própria, decisão que evitou o risco de acidente.
Ao chegar ao local, Christian identificou a espécie. Não era uma falsa-coral, aquelas cobras de anéis coloridos que imitam o padrão da prima venenosa e circulam com frequência pelos quintais catarinenses. Era a coral-verdadeira, dona de um veneno de alta potência, capaz de agir sobre o sistema nervoso da vítima.
Escondida embaixo do pneu
No vídeo compartilhado nas redes sociais, o biólogo mostra o esconderijo escolhido pelo animal. A serpente estava embaixo de um pneu, no chão do jardim, em um ponto de sombra e umidade, exatamente o tipo de abrigo que essas cobras procuram. Bastaria alguém mover o objeto sem olhar para que o encontro fosse bem diferente.
Christian explica ao longo das imagens como foi feita a retirada, com o manejo adequado para não machucar o animal nem se expor à picada. Depois de capturada em segurança, a coral-verdadeira foi levada e solta em uma área segura, longe da residência.
Mesmo diante da fama da espécie, o biólogo faz questão de desmontar parte do medo. Ele explica que a coral-verdadeira não apresenta comportamento agressivo. A cobra não persegue, não ataca por vontade própria e só é peçonhenta quando se sente encurralada, geralmente quando alguém pisa ou tenta pegá-la com as mãos.
É justamente aí que mora o risco em quintais e jardins. O animal se esconde em pilhas de entulho, telhas empilhadas, madeira acumulada e pneus abandonados, e o acidente acontece quando o morador remexe nesses lugares sem equipamento nem atenção.
O que fazer ao encontrar
A orientação em casos assim é sempre a mesma: não tentar matar, não tentar capturar e não chegar perto. O caminho é isolar a área, manter crianças e animais domésticos longe do local e acionar o Corpo de Bombeiros Militar ou um profissional habilitado, como aconteceu em Jaraguá do Sul.
O episódio se soma a uma rotina conhecida em Santa Catarina, onde a expansão das cidades sobre áreas de mata faz com que serpentes apareçam cada vez mais perto das casas, principalmente nos meses mais quentes e após períodos de chuva.
O animal foi solto em ambiente adequado e ninguém ficou ferido.






















