Foram cerca de 3,2 mil quilômetros ao volante, uma semana de estrada, noites em pousadas de beira de pista e pelo menos uma delas dormindo dentro do próprio carro. No fim do trajeto, um povoado no interior do Maranhão e uma mulher que ele conhecia apenas pela tela do celular. Aos 78 anos, um aposentado de Palhoça, na Grande Florianópolis, decidiu que a viuvez de dois anos e cinco meses tinha prazo de validade.
Tudo começou com uma mensagem recebida pelo Facebook, cerca de um mês antes da partida. Do outro lado da conversa estava uma professora, moradora do povoado de Cajazeiras, na região de Codó, no Maranhão, que também vinha de um relacionamento encerrado. Segundo o aposentado, a identificação entre os dois foi rápida, e o que era troca de mensagens virou, em poucas semanas, a intenção de construir uma relação de verdade.
O problema era a distância
Entre Palhoça e Cajazeiras há praticamente o comprimento do Brasil, e ele resolveu encarar esse trecho sozinho, de carro. Na manhã de 15 de julho, colocou as coisas no veículo e pegou a estrada rumo ao Nordeste.
A viagem foi feita em ritmo de quem não tem pressa, mas tem destino. O aposentado dirigia apenas durante o dia e, ao anoitecer, procurava hotéis e pousadas no caminho para descansar. Em parte do trajeto, porém, acabou dormindo dentro do próprio carro.
Houve também o momento em que se perdeu no percurso. Sem conseguir se localizar, contou com a ajuda de um caminhoneiro para voltar à rota correta e seguir viagem. No total, a jornada levou cerca de uma semana até que ele chegasse ao Maranhão.
Família só descobriu depois
Nada disso foi combinado com os parentes. O aposentado planejou e executou a viagem sem avisar ninguém da família, e só comunicou a decisão depois de já estar no Maranhão. A avaliação dele era simples: se contasse antes, alguém tentaria impedir que ele saísse de Santa Catarina.
O anúncio provocou preocupação entre os familiares, que descobriram de uma vez só a viagem, o relacionamento e a mudança de estado. Mesmo assim, ele informou que a decisão está tomada e que pretende permanecer na nova cidade.
Viúvo desde 2024, o aposentado afirmou que a solidão pesava na rotina em Santa Catarina e que buscava alguém com quem dividir o dia a dia. Foi essa procura que o levou às redes sociais e, depois, à estrada.
Recomeço aos 78
Já instalado no Maranhão, ele relatou estar sendo bem recebido no povoado e afirmou que a aproximação pela internet deu início a uma nova fase da vida. A professora, que aguardava a chegada, passou a dividir a rotina com o catarinense.
A história ganhou repercussão justamente pela combinação improvável: uma conversa iniciada no Facebook, milhares de quilômetros percorridos por conta própria e a disposição de recomeçar do zero, em outro estado, aos 78 anos, sem rede de apoio por perto e sem plano de retorno.
Por enquanto, o aposentado diz que não pretende voltar a Palhoça. A intenção é fixar residência no Maranhão e seguir com o relacionamento que começou pela tela do celular.
Feliz com a decisão, o aposentado afirma que encontrou o que procurava. “Já avisei: não volto”.

























