Tem coisa que parece roteiro de cinema, mas aconteceu de verdade e tem sotaque catarinense. O menino que aprendeu a quicar a bola nas quadras de Blumenau, lá no Clube Ipiranga, acordou nesta terça-feira (16) como o novo técnico do Chicago Bulls, um dos times mais famosos do planeta. Sim, o mesmo Bulls de Michael Jordan, dos seis títulos, da camisa que o mundo inteiro reconhece. E quem vai sentar no banco para comandar tudo isso é um brasileiro nascido em Joinville e criado no Vale do Itajaí.
A franquia confirmou a novidade na manhã desta terça, pelas redes sociais, com uma mensagem curta e direta: “Official: Tiago Splitter has been named our new head coach. Welcome to Chicago, Tiago Splitter”. Em bom português, “É oficial: Tiago Splitter é o nosso novo treinador. Bem-vindo a Chicago”. Pronto. Estava encerrada a novela que tinha começado na véspera.

E olha que foi uma espera de roer as unhas. Na segunda-feira (15), a imprensa dos Estados Unidos já dava o acordo como fechado, a notícia rodou o mundo, mas até o comecinho da noite ninguém tinha visto um comunicado oficial. O acerto parecia certo, faltava só a assinatura pública. Ela veio na manhã seguinte, e aí ninguém mais teve dúvida.
Logo depois de ser confirmado no novo cargo, Splitter fez questão de se despedir do Portland Trail Blazers, onde fazia parte da comissão técnica. Em uma mensagem carinhosa para a organização, a torcida e os jogadores, agradeceu pelo tempo na cidade e disse que foi um privilégio trabalhar ao lado daquele grupo. Foi uma despedida de gratidão, daquelas que deixam claro que um capítulo se fecha enquanto outro já está abrindo.
E que capítulo
Para entender o tamanho dessa história, vale voltar ao começo de tudo, que aconteceu bem longe das luzes da NBA. Nascido em Joinville, Tiago Splitter cresceu em Blumenau e foi ali que descobriu a vocação. O menino experimentou várias modalidades antes de se apaixonar de vez pela bola laranja, dando os primeiros passos no Clube Ipiranga. Daquele ginásio para o mundo.
Ainda adolescente, com 15 anos, ele atravessou o oceano e foi parar nas categorias de base do Baskonia, na Espanha, onde construiu uma carreira sólida no badalado basquete europeu. Em 2010 veio o grande salto: a chegada à NBA para defender o San Antonio Spurs, comandado pelo respeitadíssimo Gregg Popovich.

Foi lá que o catarinense entrou para a história de vez. Em 2014, Splitter se tornou o primeiro brasileiro campeão da NBA atuando dentro de quadra, conquista que ninguém tira dele. Depois ainda passou por Atlanta Hawks e Philadelphia 76ers antes de pendurar o tênis como jogador, em 2017.
A virada para a área técnica foi rapidinha. Splitter trabalhou como auxiliar no Brooklyn Nets e no Houston Rockets, comandou o Paris Basketball, na França, e mais recentemente integrava a comissão do Portland Trail Blazers. Pelos bastidores da liga, ganhou fama pelo trabalho com os jovens atletas e por uma leitura de jogo afiada, dessas que técnico bom precisa ter.
Maior desafio da vida
Agora, aos 41 anos, ele chega ao maior desafio da vida. Mais do que assumir um time da NBA, Splitter passa a comandar uma franquia que carrega um dos nomes mais pesados do basquete mundial. Para quem começou batendo bola em Santa Catarina, é só mais um capítulo histórico de uma carreira que já colecionava feitos inéditos para o esporte brasileiro.
No fim das contas, a mensagem que fica é bonita e simples: o talento que nasce no interior catarinense pode, sim, chegar ao topo do mundo. E desta vez chegou ao banco mais cobiçado do basquete, com um sotaque que mistura Joinville e Blumenau.






















