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CPF clonado vira dívida de R$ 23 milhões e trava a vida de uma moradora doente em Florianópolis

Diagnosticada com um tumor no cérebro e com feridas nas pernas há 15 anos, Sandra vive sozinha em Florianópolis e ainda é cobrada por uma dívida de R$ 23 milhões gerada por um golpe com o seu CPF, que a impede de vender a casa e se tratar.

CPF clonado vira dívida de R$ 23 milhões e trava a vida de uma moradora doente em Florianópolis
Foto: Reprodução
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As duas pernas queimam por dentro, a dor sobe até o osso e há noites em que o sono não vem. Aos 59 anos, Sandra Terezinha Mielczarski vive sozinha numa casa simples na Tapera, no sul de Florianópolis, e há cerca de 15 anos convive com feridas que se recusam a fechar, a úlcera varicosa (ou úlcera venosa), que é uma ferida de difícil cicatrização, localizada perto do tornozelo, causada pela má circulação. Ela é o estágio mais avançado da Insuficiência Venosa Crônica (IVC). A cirurgia que poderia resolver o problema, conta ela, foi adiada antes da pandemia e nunca aconteceu. “Não consigo andar, não consigo dormir”, resume.

Natural de Guaíba, no Rio Grande do Sul, Sandra chegou a Florianópolis anos atrás ao lado do então marido, à procura de uma vida melhor. O casamento terminou em divórcio. Sem filhos, ela ergueu o pouco que tem com a ajuda do pai, já falecido, que a auxiliou a comprar a casa onde mora até hoje.

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Se as pernas já a limitavam, a saúde deu outro golpe. Há cerca de dois anos, segundo Sandra, o corpo começou a travar “do nada”. Primeiro foi o olho, depois a boca. Levada ao Hospital Governador Celso Ramos, passou por uma bateria de exames, houve suspeita de meningite, punção na coluna, até uma ressonância apontar uma alteração no lado esquerdo, próximo à região ocular. Ela conta que foi diagnosticada com um tumor no cérebro e chegou a ser encaminhada para internação.

No meio de tudo isso, uma cirurgia de catarata em um hospital da Grande Florianópolis terminou em infecção. “Peguei uma bactéria das brabas”, diz. Desde então, enxerga mal de um dos olhos.

Sandra vive com cerca de R$ 1 mil por mês, uma aposentadoria de um salário mínimo que, na prática, nem chega inteira: ela fez empréstimos para bancar por conta própria tratamentos que o SUS, afirma, não conseguiu oferecer no tempo necessário. Para complementar a renda, faz um bolo, um docinho para vender quando a saúde permite ficar de pé. “Moro sozinha, não tenho ninguém aqui”, diz. A família mais próxima está longe, no Rio Grande do Sul.

Nos últimos anos, ela conta ter batido em muitas portas atrás de ajuda: Defensoria Pública, Ministério Público e até a Assembleia Legislativa, onde afirma que um deputado prometeu apoio há cerca de um ano e meio. Três anos atrás, diz, entrou com um processo, mas ouviu que o caso era “estético”.
O problema que mais trava a vida de Sandra hoje, porém, não tem a ver com a doença. Tem a ver com uma dívida de R$ 23 milhões que ela jura nunca ter feito.

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De acordo com o advogado que acompanha o caso, Sandra foi vítima de um golpe: criminosos teriam usado o CPF dela, a partir de documentos falsificados em Porto Alegre, para abrir empresas de importação sem o seu conhecimento no Ceará. As operações geraram cerca de R$ 23 milhões em impostos não pagos, que se transformaram em dívida ativa na Receita Federal em nome dela.

O efeito é cruel. Por causa da dívida, a casa de Sandra tem restrição e não pode ser vendida. E é justamente a venda do imóvel que ela enxerga como saída: quer se desfazer da casa para ir morar com o irmão e ficar perto da família. “Como é que eu vou vender?”, questiona. Presa entre a doença e a burocracia, segue no mesmo lugar.

O advogado confirma que as informações são verídicas e trata o caso como um golpe de falsidade ideológica. Sandra reúne números de processo e documentos que, segundo ela, comprovam cada etapa dessa via-crúcis.
Enquanto os processos se arrastam, ela pede o que chama de ajuda para se curar, pois não aguenta mais viver com tantas dores. “Já pedi pra Deus me levar, não aguento mais.”. Ela chamou a reportagem para que algum médico possa olhar para o caso dela e realizar a cirurgia. Ou mesmo uma ajuda financeira para conseguir sobreviver e comprar os remédios necessários para minimizar as suas dores, até que consiga resolver a parte legal do golpe que levou.

Como ajudar:
O pix da Sandra Terezinha Mielczarski é o número do seu telefone: 48991585439.

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