Foi numa casa de praia em Bombinhas, no Litoral Norte de Santa Catarina, que a história começou. Ao chegar para passar uns dias, Claudia Toledo se deparou com um cão abandonado por ali, sozinho e sem para onde ir. O que era pra ser um fim de semana comum virou o começo de uma adoção que, quatro anos depois, transformaria a rotina de toda uma repartição pública em Balneário Camboriú.
Claudia, que é servidora da Fundação Municipal de Esportes da cidade, não pensou duas vezes. Trouxe o cachorro para Balneário, castrou e levou ao veterinário para cuidar da saúde do animal. Só ali, olhando de perto para aquele filhote, é que a decisão ficou clara: ele não ia mais embora. A família batizou o novo integrante de Paçoca.

Com cerca de um ano de idade na época, Paçoca chegou carregando as marcas do abandono. Claudia descreve o cão como muito carente, um bicho que precisava de colo e de companhia o tempo todo. E era justamente aí que morava o problema. Sozinho em casa, o sofrimento era evidente, e ninguém que já adotou um animal assim não sabe o tamanho da culpa de fechar a porta e ir trabalhar.
A solução veio de onde poucos esperariam: da própria chefia. Ao entender a situação de Claudia e do cão, a chefe sugeriu que ela levasse Paçoca para a Fundação. O que poderia ter sido um problema virou a melhor parte do dia, tanto para o animal quanto para quem trabalha ali.

Hoje, quatro anos depois, Paçoca já não é mais visita. Ele faz parte da instituição. Ama brincar com as crianças que passam pela Fundação e virou companhia diária dos funcionários, daqueles que a gente estranha quando não aparecem no expediente.
E não é qualquer cachorro bagunceiro. Claudia faz questão de destacar que Paçoca é educado. Nos quatro anos de convivência, nunca destruiu nada dentro de casa e nunca mordeu ninguém. Pelo contrário: obedece a comandos, sabe posar para tirar foto, deita na sua caminha quando pedem e corre com a criançada pelos espaços da Fundação.
De cão abandonado numa casa de praia a mascote querido de uma repartição inteira, Paçoca provou que resgate é via de mão dupla. Claudia deu um lar a ele. Ele deu alegria a todo mundo que passou a dividir os dias com aquele focinho carente que só queria companhia.



























