Antes do caminhão, antes do trator e antes do asfalto, era o passo lento das juntas de boi que movia a economia do Vale do Rio Tijucas. O carro de boi, feito quase todo de madeira, com rodas maciças e um eixo que cantava ao girar, era a infraestrutura do campo: levava cana, banana, lenha, farinha e madeira pelas estradas de barro batido, ligando a roça à vila. Quem o conduzia era o carreiro, que caminhava ao lado dos animais, marcando o passo com a aguilhada.

Boa parte dessa carga era cana-de-açúcar. Desde o início da ocupação, a cana esteve presente no Vale, transformada de forma artesanal em açúcar grosso e cachaça nos engenhos coloniais espalhados pela região. Era um trabalho manual, de pequena escala, que sustentava famílias e movimentava o comércio local.

Tudo mudou de escala a partir de meados do século XX, com a chegada da grande indústria açucareira. A usina conhecida como USATI passou a comprar as melhores terras, atraiu os colonos com promessas de compra e financiamento e, gradualmente, fez os engenhos artesanais fecharem. Os agricultores passaram a fornecer cana quase exclusivamente para a usina, que reorganizou a produção em moldes industriais e transformou a dinâmica do campo em toda a região.
A usina ficava no território que hoje pertence a São João Batista, mas que, à época, ainda fazia parte de Tijucas. Conforme registros históricos sobre a região, a força econômica da usina foi um dos fatores que contribuíram para a emancipação de São João Batista, que se tornou município em 1958.
Com o tempo, o ciclo da cana se encerrou. As usinas de açúcar foram desativadas, e o mesmo grupo empresarial por trás da atividade migrou para outro setor, dando origem ao polo cerâmico que se tornaria uma das maiores referências do país. A cana saiu de cena, mas a transformação que ela provocou no Vale do Rio Tijucas, na divisão das terras, na economia e na própria geografia da região, deixou marcas que chegam até hoje.
Do carro de boi que descia as estradas de barro à usina que mudou o campo, é a mesma terra que conta a história de Tijucas. A economia da terra é um dos trechos do documentário sobre os 166 anos do município, produzido pelo Jornal Razão em iniciativa da Prefeitura de Tijucas.
O especial, que será exibido nas escolas da rede municipal, percorre tradições, personagens e marcos que ajudaram a construir a identidade da cidade e terá trechos divulgados ao longo das celebrações de aniversário. Saiba mais sobre o documentário completo dos 166 anos de Tijucas.























