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A marinha mercante que fez de Tijucas uma cidade de frente para o mar

Do estuário farto dos primeiros pescadores ao auge da marinha mercante, com cem veleiros descendo o rio, até o assoreamento da foz que mudou tudo: a relação de Tijucas com suas águas é tema de um dos trechos do documentário dos 166 anos, produzido pelo Jornal Razão em iniciativa da Prefeitura.

A marinha mercante que fez de Tijucas uma cidade de frente para o mar
Foto: Reprodução
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A história de Tijucas se confunde com as águas do seu rio e do seu mar. Muito antes da urbanização, foi do estuário do Rio Tijucas que os primeiros moradores tiraram o sustento, e foi pelo rio que a cidade cresceu, prosperou e construiu boa parte de sua identidade. Essa trajetória, das raízes pesqueiras ao auge da marinha mercante e à expectativa de um novo ciclo náutico, é tema de um dos trechos do documentário sobre os 166 anos do município.

Conforme relatos de pescadores antigos, a barra do Rio Tijucas já foi muito mais funda e piscosa do que é hoje. O estuário garantia grandes volumes de peixes e camarões, e a pesca era o principal motor econômico das comunidades ribeirinhas. O conhecimento das marés e as técnicas artesanais passavam de geração em geração, formando o que se pode chamar de verdadeiros guardiões do rio.

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Foi desse rio farto que nasceu também o comércio. No início do século XX, a marinha mercante tijuquense viveu seu auge. Registros históricos da época indicam que, nas décadas de 1920 e 1930, a cidade chegou a contar com uma frota de cerca de cem veleiros, que desciam o rio carregados de madeira e açúcar e levavam o nome de Tijucas pelo litoral do Brasil. Entre as embarcações, o veleiro Rosa, do coronel João Bayer, tinha capacidade para 280 toneladas e integrava a maior frota de navegação à vela da cidade.

A atividade movimentava o porto e a vida da cidade. Personagens como José Garrido Portella, que foi capataz do porto de Tijucas e chegou a presidir a Colônia de Pescadores, e Edemir Camargo, conhecido como o último armador tijuquense, que chegou a construir sete embarcações próprias, ajudam a contar esse período em que o rio era, ao mesmo tempo, estrada, porto e fonte de renda.

Mas as águas mudaram o curso da história. Com o tempo, a barra do rio começou a assorear, e o acesso ao mar foi ficando cada vez mais difícil. O mesmo assoreamento que encalhou os grandes veleiros também afetou a pesca, reduzindo a fartura que o estuário um dia ofereceu. A marinha mercante minguou, as embarcações maiores deixaram de entrar, e a cidade que havia nascido de frente para o rio foi, aos poucos, virando-lhe as costas.

Agora, a relação de Tijucas com suas águas vive a expectativa de um novo capítulo. A administração municipal protocolou o pedido de licenciamento ambiental para as obras na foz do Rio Tijucas, entre elas a construção de molhes destinados a estabilizar a desembocadura, reduzir riscos de enchentes e melhorar a navegabilidade para pescadores e embarcações.

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A iniciativa é apontada como caminho para um novo ciclo náutico e turístico, capaz de devolver ao rio e ao mar o papel de protagonistas na economia da cidade.

A história das águas de Tijucas é um dos trechos do documentário sobre os 166 anos do município, produzido pelo Jornal Razão em iniciativa da Prefeitura de Tijucas.

O especial, que será exibido nas escolas da rede municipal, percorre tradições, personagens e marcos que ajudaram a construir a identidade da cidade e terá trechos divulgados ao longo das celebrações de aniversário. Saiba mais sobre o documentário completo dos 166 anos de Tijucas.

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