A Universidade Federal de Santa Catarina começou uma nova era nesta segunda-feira. Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior, 58 anos, professor titular do Departamento de Engenharia Mecânica, tomou posse como reitor da UFSC em cerimônia no auditório Garapuvu, no Centro de Cultura e Eventos, ao lado da vice-reitora Felipa Rafaela Amadigi, 46, professora do Departamento de Enfermagem. Junto com a faixa e o cargo, o novo reitor levou pro comando da maior universidade federal do Sul do país uma pauta que promete mudar a relação da instituição com a segurança pública: a volta da Polícia Militar ao campus.
Natural de Florianópolis, Amir é graduado, mestre e doutor em Engenharia Mecânica e Mecânica Aplicada, docente efetivo da UFSC desde 2000. Antes da Reitoria, foi chefe do Departamento de Engenharia Mecânica, diretor acadêmico do campus de Araranguá e vice-diretor do Centro Tecnológico. Preside o Conselho de Curadores da Fundação Certi e o Conselho da Associação Brasileira de Ciências Mecânicas, além de acumular passagens por conselhos da Celesc e de fundações ligadas à universidade.
A virada nas urnas
A chapa “Mudar para Transformar”, encabeçada por Amir e Felipa, venceu a consulta à comunidade universitária com 55% dos votos totais, incluindo 71% dos docentes, a maior fatia entre todos os segmentos. A vitória representou a virada da oposição sobre a gestão anterior, e a cerimônia de posse marcou a transmissão oficial do cargo pelo ex-reitor Irineu Manoel de Souza, que comandou a universidade nos últimos anos.
PM de volta ao campus
Entre as bandeiras que a nova gestão levou pra Reitoria está a retomada da presença da Polícia Militar dentro do campus para o enfrentamento da criminalidade, uma posição que rompe com a postura de resistência à corporação adotada nos últimos anos. A pauta ganha peso num período em que cresce a sensação de insegurança dentro da própria universidade, com registros de assaltos a estudantes em áreas movimentadas do campus da Trindade.
A defesa da PM no campus não é nova no discurso de Amir. Ainda como reitor eleito, ele já havia afirmado que a corporação é “fundamental” no enfrentamento de qualquer questão de segurança e que a nova gestão quer construir uma relação de parceria com as forças de segurança pública. Na ocasião, rejeitou a leitura de que a atuação policial representaria repressão ao ambiente acadêmico, defendendo um modelo de segurança que atue nos pontos e momentos críticos.
Além da segurança, o plano da nova gestão inclui a revitalização das instalações da universidade, com atenção a prédios degradados e à iluminação precária, e a reaproximação da UFSC com o setor produtivo e com os governos.
“A UFSC precisa mudar. Queremos revitalizar a UFSC. Isso dará mais qualidade à universidade, melhorando a segurança e as condições de vida no campus”
Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior, reitor da UFSC
Despedida e nova gestão
A cerimônia reuniu conselheiros universitários, ex-reitores, docentes, técnicos-administrativos e estudantes. Ao se despedir da função, o ex-reitor Irineu Manoel de Souza falou do contexto em que assumiu a Reitoria, no pós-pandemia, marcado pelos ataques à universidade e pela falta de recursos. “Foram anos especialmente desafiadores”, resumiu, ao encerrar afirmando que continua defendendo e trabalhando pela UFSC mesmo fora do cargo.
Na sequência, foram apresentados os nomes que vão compor a nova gestão. A Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação ficará com Bruno Carlo Celeguim de Amattos, e a função de assessor institucional da Reitoria será ocupada por Bebeto Marques, presidente da Apufsc-Sindical. A gestão de Amir e Felipa comanda a UFSC no quadriênio que se inicia agora.























