A fachada verde e amarela das Lojas Quero-Quero faz parte da paisagem de dezenas de cidades catarinenses, de Itaiópolis a Tijucas, de Pomerode a São João Batista. Mas por trás dos balcões, a gigante do varejo de material de construção atravessa a pior fase financeira dos últimos anos e começou a cortar na própria carne.
A rede fechou 14 lojas no Rio Grande do Sul e demitiu mais de 100 funcionários, segundo entidades representativas dos comerciários. As medidas vieram na esteira de um prejuízo líquido de R$ 61,7 milhões registrado no primeiro trimestre de 2026, conforme balanço divulgado pela própria companhia ao mercado.
O rombo praticamente dobrou em relação ao mesmo período de 2025, com alta de 98% nas perdas. A dívida acumulada da varejista já supera a marca dos R$ 200 milhões, cenário que pressionou a diretoria a agir rápido para estancar a sangria.
Entre as unidades encerradas está uma filial de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. As demais lojas fechadas ficavam espalhadas pelo interior gaúcho e foram classificadas pela empresa como pontos deficitários, aqueles que custam mais do que rendem.
Prejuízo dobrou em um ano
No comunicado enviado aos investidores, a companhia atribuiu o resultado negativo à retração nas vendas do setor da construção civil, aos juros elevados, à restrição na oferta de crédito e ao alto nível de endividamento das famílias, combinação que derrubou o consumo justamente no segmento em que a rede é mais forte.
A Quero-Quero nasceu no interior gaúcho, em Santo Cristo, na década de 1960, e tem sede em Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre. Desde 2020 a empresa tem capital aberto na bolsa brasileira, o que a obriga a expor os números ao mercado a cada trimestre.
A expansão pelo Sul transformou a rede numa das maiores varejistas de material de construção do país, com um modelo particular: apostar em cidades pequenas e médias do interior, praças onde as grandes concorrentes do setor normalmente não chegam. Foi assim que a marca se espalhou por Santa Catarina.
E as lojas de Santa Catarina?
Nenhuma unidade catarinense aparece na lista de fechamentos até o momento. O corte se concentrou integralmente no Rio Grande do Sul, e as lojas de SC seguem operando normalmente. Segundo os dados mais recentes divulgados pela companhia, Santa Catarina soma cerca de 86 lojas da rede e o Paraná, cerca de 150, e os dois estados concentraram a expansão dos últimos anos.
Mesmo depois do enxugamento, a rede mantém 574 pontos de venda ativos distribuídos entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. No mesmo período em que fechava 14 unidades, a empresa inaugurou duas novas lojas, sinal de que a estratégia é remanejar a operação para regiões consideradas mais rentáveis, e não encolher de vez.
Segundo a companhia, as medidas integram um plano de eficiência desenhado para reduzir custos fixos, readequar a estrutura de capital e garantir a sustentabilidade financeira diante da volatilidade do varejo.
O mercado financeiro segue monitorando a varejista e aguarda os próximos balanços para avaliar se os cortes serão suficientes para reverter o cenário de perdas.





















