Encher um tanque de 50 litros de gasolina comum em Blumenau pode custar R$ 312 ou R$ 354,50, dependendo só de qual bomba o motorista escolher. A diferença de R$ 42,50, na mesma cidade e na mesma semana, saiu da pesquisa do próprio Procon municipal, que percorreu 66 postos no fim de junho. E o levantamento virou muito mais do que uma tabela de preços: 24 estabelecimentos acabaram na mira de processo administrativo.
A conclusão da fiscalização foi divulgada pela Prefeitura de Blumenau na segunda-feira, 20 de julho. Além de anotar os valores cobrados, a equipe aferiu a quantidade de combustível efetivamente liberada na bomba e comparou preços de gasolina comum, gasolina aditivada, etanol, diesel S-500, diesel S-10 e GNV nas três formas de pagamento: dinheiro, cartão e aplicativo.
O passo seguinte foi cruzar esses preços com as notas fiscais de compra e venda de cada posto. Dos 66 fiscalizados, quatro simplesmente não responderam ao Procon dentro do prazo. Por causa disso, o órgão instaurou Processo Administrativo Sancionador (PAS) por desobediência às determinações, o que pode terminar em multa.

Entre os 62 postos que entregaram a documentação, 42 conseguiram provar o que o Procon chama de justa causa, ou seja, o aumento cobrado do consumidor encontrou amparo real no que eles próprios pagaram para abastecer os tanques. Os outros 20 não conseguiram.
É nesse grupo que mora a parte mais dura do relatório. Segundo o Procon, a documentação desses 20 postos mostrou indicativo de elevação de preço sem justa causa, com reajustes aplicados de forma gradativa e exponencial. Em alguns casos, o preço subiu mais de uma vez no mesmo dia.
Somando os 20 com indício de abuso e os quatro que ignoraram o órgão, são 24 postos de Blumenau alvo de processo sancionador. Todos foram intimados e têm 20 dias para apresentar defesa, na forma do artigo 42 do Decreto Federal 2.181/1997. Se não convencerem, podem ser multados.

O coordenador do Procon de Blumenau, Cezar Campesatto, explica que no Brasil vigora o regime de liberdade de preços em todo o mercado de combustíveis e derivados de petróleo. Cobrar caro, sozinho, não é infração. O problema é subir sem que o custo justifique.
A ação buscou identificar e coibir eventuais práticas abusivas que pudessem extrapolar os limites da livre concorrência entre os estabelecimentos do setor, justamente no período em que ocorreram os aumentos de preços dos combustíveis em decorrência dos impactos da guerra no Irã
R$ 0,85 de diferença
A tabela completa da pesquisa, publicada pela Prefeitura, mostra o tamanho do desalinhamento entre as bombas da cidade. Na gasolina comum, o litro mais barato saiu por R$ 6,24, pago via aplicativo do posto, e o mais caro chegou a R$ 7,09 no cartão. São R$ 0,85 de diferença por litro, ou 13,6%, dentro do mesmo município.
Os R$ 6,24 apareceram em dois postos do bairro Ponta Aguda: o Auto Posto Verenka 07, na Rua República Argentina, 2801, e o Posto Koltun, na Rua das Missões, 365, ambos no preço de aplicativo. Na outra ponta, o Posto Itoupavazinha, na Rua Frederico Jensen, 1080, marcou R$ 7,09 no cartão e R$ 6,99 no dinheiro. A mediana da cidade ficou em R$ 6,68 o litro.
Vale uma ressalva importante: o Procon não divulgou quais são os 24 postos que viraram alvo de processo, e preço alto não significa irregularidade. Como a legislação garante liberdade de precificação, o que está sob apuração é a falta de justificativa nos custos para os reajustes aplicados, não o valor exposto na placa.
Nos outros combustíveis a distância é ainda maior. O etanol variou de R$ 4,05 a R$ 5,09, diferença de R$ 1,04 por litro. O diesel S-10, usado por caminhoneiros e frotistas, foi de R$ 6,33 a R$ 7,89, com R$ 1,56 de intervalo. O diesel S-500 apareceu entre R$ 5,89 e R$ 7,85. Já o GNV, ofertado por apenas nove dos 66 postos, ficou entre R$ 4,49 e R$ 4,99.
Os preços posto a posto
A lista abaixo traz os 66 postos fiscalizados pelo Procon, ordenados do mais barato ao mais caro na gasolina comum. O valor em destaque é o da gasolina comum; logo abaixo vêm etanol e diesel S-10. Em todos os casos consideramos o menor preço encontrado no posto entre as três formas de pagamento (dinheiro, cartão e aplicativo), conforme a pesquisa do fim de junho. Preço de combustível muda com frequência, então use a lista como referência de comparação, não como cotação do dia.
Fonte: Pesquisa de Preços de Combustíveis de junho de 2026, Procon de Blumenau. Levantamento e organização dos dados: Jornal Razão.
A pesquisa completa do Procon, com gasolina aditivada, diesel S-500, GNV e os valores separados por forma de pagamento, está disponível para download no site da Prefeitura de Blumenau.
Como o caso começou
A fiscalização de junho não foi episódio isolado. Desde o ano passado o Procon de Blumenau faz verificação de preços de combustíveis a cada três meses, dentro do programa Vigilantes do Preço, tocado em parceria com a Fundação Pró-Família.
O cerco apertou em março deste ano, quando o órgão expediu decisão cautelar obrigando todos os postos da cidade a apresentar as notas fiscais de compra e venda em até 48 horas. A medida se apoiou no artigo 39, inciso X, do Código de Defesa do Consumidor, que trata justamente da elevação de preço sem justa causa, e nasceu do salto repentino dos combustíveis naquele mês, no período de instabilidade puxado pelo conflito envolvendo o Irã.
Agora o caso corre nos processos administrativos. Os 24 postos intimados têm 20 dias para se defender, e só depois desse julgamento o Procon define se aplica multa e quais estabelecimentos serão identificados. A pesquisa de preços completa, com os 66 postos e as três formas de pagamento, segue disponível para download no site da Prefeitura de Blumenau.





















