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Aumento no valor das passagens intermunicipais revolta moradores na Grande Florianópolis

Reajuste de 6,85% autorizado pela Aresc começa a valer nesta quarta-feira nas linhas das cinco empresas do consórcio Metrópolis; ligação Kobrasol–Florianópolis chega a R$ 14 e maior tarifa da região bate R$ 21,50.

Aumento no valor das passagens intermunicipais revolta moradores na Grande Florianópolis
Foto: Reprodução
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As passagens dos ônibus intermunicipais que ligam São José a Florianópolis, e que atendem toda a Grande Florianópolis, ficam mais caras a partir desta quarta-feira, 22 de julho de 2026. O reajuste é de 6,85% e atinge as linhas operadas pelas cinco empresas do consórcio Metrópolis: Biguaçu, Jotur, Imperatriz, Estrela e Santa Terezinha. O aumento foi autorizado pela Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina, a Aresc, e já vale para milhares de moradores que dependem do transporte coletivo todos os dias.

O novo valor foi definido pela Resolução Aresc nº 408, que autoriza expressamente a aplicação do índice de 6,85% às operadoras do transporte rodoviário intermunicipal que aderiram à medida. Uma observação importante para quem viu números diferentes circulando: alguns veículos noticiaram o reajuste como sendo de 6,58%, mas esse percentual saiu de uma inversão de dígitos. O índice correto, registrado no ato oficial da agência, é de 6,85%.

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Na prática, o aumento pesa direto no bolso de quem cruza a BR-101 diariamente entre São José e a Capital. Na linha executiva Kobrasol–Florianópolis, a passagem passou de R$ 12,43 para R$ 13,31 no cartão, e de R$ 13 para R$ 14 em dinheiro. Já a linha Zenaide/Barreiros–Florianópolis passou a custar R$ 14,48 no cartão e R$ 15 em dinheiro. Entre as linhas que atendem a região, a tarifa mais cara divulgada é a de Governador Celso Ramos, que chega a R$ 21,50 em dinheiro.

Tabela com os novos valores das tarifas intermunicipais da Grande Florianópolis a partir de 22 de julho de 2026
Novos valores das linhas convencionais por patamar, em vigor a partir de 22 de julho. Divulgação/Metrópolis

O padrão de cobrança segue o mesmo já aplicado nos últimos anos: o valor é sempre menor no cartão e maior no dinheiro, uma diferença criada para estimular o uso da bilhetagem eletrônica. As linhas executivas mantêm preços fixos, enquanto as convencionais variam de acordo com o patamar de cada trajeto. Ao todo, os valores foram atualizados nas linhas das cinco empresas que operam a ligação entre os municípios da Grande Florianópolis.

Não é um reajuste anual comum

Um ponto que diferencia este aumento dos anteriores é a sua natureza. A Aresc classifica a medida como um reequilíbrio tarifário extraordinário e temporário, e não como o reajuste anual de rotina. A justificativa formal registrada na resolução se apoia em dois fatores concretos: o aumento extraordinário do preço do óleo diesel e a reoneração gradual da contribuição previdenciária patronal sobre a folha de pagamento das empresas.

Segundo a nota técnica da agência, o diesel S10 usado como base no cálculo passou de R$ 6,21 na primeira semana de março para R$ 7,23 na primeira semana de maio, uma alta de 16,43% em cerca de dois meses. Depois de ponderar o peso do combustível, da mão de obra e dos demais custos operacionais, a agência chegou ao impacto médio de 6,85% sobre a tarifa. São esses os dois motivos oficiais do aumento, e não pneus, peças, inflação geral ou reajuste salarial dos motoristas, que costumam aparecer em manifestações das empresas, mas não são a fundamentação central do documento.

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Por ser uma medida temporária, o reajuste tem prazo para ser reavaliado. A resolução estabelece vigência inicial de seis meses contados a partir da publicação do ato, que ocorreu no Diário Oficial em 19 de junho de 2026. Passado esse período, a Aresc deverá reanalisar a situação. Se o preço médio do combustível cair mais de 8,2% em relação ao valor usado no cálculo, o reajuste poderá ser reduzido ou até extinto. Também existe a possibilidade de que a medida seja prorrogada por mais seis meses.

Um histórico de aumentos seguidos

O incômodo de quem usa o transporte coletivo tem explicação no acúmulo de reajustes dos últimos anos. Em 16 de julho de 2022, as tarifas subiram 15,54% nas linhas urbanas e 14,91% nas rodoviárias da Grande Florianópolis. Em 22 de dezembro de 2024, veio um aumento de 12,54%, o primeiro desde 2022. Em 2 de novembro de 2025, outro reajuste, de 9,09%. E agora, em 22 de julho de 2026, o índice extraordinário de 6,85%.

Somando de forma composta os aumentos de dezembro de 2024, novembro de 2025 e julho de 2026, a alta acumulada chega a aproximadamente 31,18% em pouco mais de um ano e meio. Considerando desde julho de 2022, com o índice urbano de 15,54%, o acúmulo teórico beira os 51,56%. Os valores reais de cada linha podem variar um pouco por causa dos patamares e dos arredondamentos, mas o peso sentido no dia a dia ajuda a entender a reação da população, ainda que, tecnicamente, os índices não confirmem que as passagens tenham dobrado de preço.

Muito reajuste, pouca contrapartida

A cada novo aumento, cresce entre os usuários a sensação de que o transporte metropolitano segue uma lógica de só uma mão: a tarifa sobe com regularidade, mas a qualidade do serviço não acompanha. Enquanto as empresas do grupo que opera a região metropolitana veem suas planilhas de custo reequilibradas por decisão da agência reguladora, o passageiro que paga a conta continua enfrentando frota envelhecida, veículos sem ar-condicionado nas linhas convencionais, horários escassos e ônibus lotados nos trajetos de maior movimento.

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Outro ponto sensível é a integração. Diferentemente de outras regiões metropolitanas do país, onde o usuário troca de ônibus pagando uma única passagem, na Grande Florianópolis a baldeação gratuita ou com desconto ainda é limitada e não abrange todo o sistema. Na prática, quem precisa de mais de uma linha para chegar ao destino muitas vezes paga tarifa cheia duas vezes, o que encarece ainda mais o custo real do deslocamento diário e recai justamente sobre o trabalhador que depende do coletivo.

A conta pesa mais quando se soma a fragilidade histórica do planejamento do transporte na região. A ausência de uma política consolidada de bilhete único, a falta de renovação constante da frota e a lentidão em avançar com alternativas de mobilidade fazem com que o reajuste chegue sem a contrapartida que o passageiro espera. O resultado é um sistema em que o preço acompanha, ano após ano, os custos das operadoras, enquanto a melhora concreta na experiência de quem anda de ônibus fica sempre para depois.

A revolta nas redes sociais

A notícia do aumento gerou uma enxurrada de reclamações nas redes sociais, com moradores questionando tanto o valor quanto a qualidade do serviço. A percepção de que o preço “dobrou” apareceu repetidamente nos comentários, junto com a insatisfação de quem considera o reajuste desproporcional diante das condições das linhas.

Boa parte das queixas mira a relação entre o que se paga e o que se recebe. Usuários relatam ônibus antigos, sujos, sem ar-condicionado, com poucos horários e frequentemente lotados nos trajetos de maior movimento. Vários moradores afirmaram que passaram a recorrer a aplicativos de transporte, carro particular ou moto, avaliando que o custo já se aproxima do de um transporte individual. “Prefiro gastar gasolina e ir de carro do que ficar refém”, resumiu um dos comentários, em tom que se repetiu em dezenas de mensagens.

A cobrança também alcançou o poder público. Moradores questionaram a ausência de fiscalização sobre a qualidade da frota e voltaram a pedir avanços na integração do sistema. A revolta expõe um sentimento recorrente na Grande Florianópolis: o de que os aumentos chegam com regularidade, mas as melhorias no serviço não acompanham o mesmo ritmo.

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