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Em meio à proibição do Governo Lula, mar de tainha “desfila” diante de pescadores em praia de SC

Imagens em Quatro Ilhas mostram cardumes de tainha rente à praia no momento em que a pesca de arrasto foi proibida em SC; pescadores cobram "cota zero" ou limite por praia.

Em meio à proibição do Governo Lula, mar de tainha “desfila” diante de pescadores em praia de SC
Foto: Reprodução
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O mar nunca esteve tão cheio, e o pescador nunca esteve tão proibido de pescar. Imagens registradas na praia de Quatro Ilhas, em Bombinhas, mostram cardumes gigantes de tainha passando rente à arrebentação, justamente no momento em que o governo federal encerrou a safra em Santa Catarina.

As cenas reforçam o contraste que move a revolta nas comunidades: o peixe está em abundância, visível a poucos metros da areia, mas os pescadores estão proibidos de lançar as redes. A pesca de arrasto de praia foi suspensa neste domingo, apenas 38 dias após a abertura, depois que as capturas atingiram 90% da cota de 1.332 toneladas autorizada para 2026. O prazo para retirar redes e canoas das praias terminou às 15h desta segunda-feira.

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O ponto que mais revolta os pescadores é a forma como a cota funciona. O limite é coletivo e vale para todos os ranchos somados, então, mesmo com o peixe desfilando rente à areia, ninguém pode mais agir, porque o total do estado atingiu os 90% autorizados.

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A safra de 2026 foi marcada por uma fartura fora do comum. A combinação de ventos do quadrante sul e ciclones na costa sul do Brasil empurrou os cardumes para muito perto das praias catarinenses, segundo o Laboratório de Piscicultura Marinha da UFSC, gerando lanços históricos ao longo da temporada, como os cerca de 20 mil peixes capturados em Bombinhas no fim de maio.

Para os pescadores, ver os cardumes passarem livres é a ilustração mais cruel da medida que classificam como injusta. O argumento repetido nos protestos é o de que a pesca de praia não vai atrás do peixe em alto-mar, apenas recolhe o cardume que passa pela arrebentação. “O peixe passa aqui pra gente pegar”, resumiu uma das lideranças do movimento, ao defender a chamada “cota zero” ou, ao menos, um limite estipulado por praia.

SC vai à Justiça

A pressão segue forte nas praias. O governador Jorginho Mello autorizou a Procuradoria-Geral do Estado a acionar a Justiça para tentar derrubar a portaria federal, e lideranças de Bombinhas redigem uma carta de apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até a última atualização, a proibição seguia em vigor, e o mar de Quatro Ilhas continuava cheio de tainha que ninguém podia pescar.

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