O Ministério da Pesca e Aquicultura encerrou na tarde deste domingo, 7 de junho, a captura da tainha na modalidade de arrasto de praia em todo o litoral de Santa Catarina, justamente no auge de uma das maiores safras das últimas três décadas. A decisão pegou os pescadores artesanais de surpresa e fez a Prefeitura de Florianópolis reagir com uma nota oficial de repúdio.
A medida do governo federal foi tomada depois que o sistema de cotas atingiu 90% do limite autorizado para a modalidade na safra de 2026. Pela regra, ao bater esse percentual, a pesca por arrasto de praia é encerrada de imediato. Com a determinação, os pescadores que ainda estavam no mar tiveram prazo de apenas 24 horas para descarregar as embarcações.
O que mais revolta quem vive da pesca é o momento da decisão. Segundo a Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina, a safra de 2026 é considerada a melhor dos últimos 30 anos no litoral catarinense, com mega lanços e o peixe em abundância na costa. Em poucas semanas, redes chegaram a puxar mais de 30 mil tainhas de uma só vez na Grande Florianópolis. Foi essa fartura que fez a cota estourar em menos de 40 dias, com cardume ainda batendo nas praias.
Prefeitura reage
Em comunicado oficial, a Subsecretaria de Pesca, Maricultura e Desenvolvimento Agroalimentar de Florianópolis manifestou profunda preocupação e repúdio ao encerramento determinado pelo governo federal. A pasta lembrou que a pesca artesanal da tainha por arrasto de praia é tradição centenária, parte da identidade cultural açoriana da cidade, e que movimenta a economia local gerando renda para cerca de 5 mil famílias somente na Capital.
O setor pesqueiro aponta ainda um agravante: a restrição recai sobre os pescadores artesanais de arrasto de praia de Santa Catarina, enquanto pescadores de outras regiões do estado, como o norte do litoral, não tiveram a mesma oportunidade de aproveitar a safra antes do fechamento.
A justificativa do governo
Do outro lado, o Ministério da Pesca defende que a medida tem caráter preventivo e serve para evitar que a cota de captura seja ultrapassada. Segundo o governo federal, o sistema de cotas, definido em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, tem o objetivo de proteger a espécie e garantir a sustentabilidade do estoque pesqueiro para as próximas safras.
Apesar do fechamento do arrasto de praia, as embarcações seguem autorizadas a capturar outras espécies previstas no licenciamento.
Até a última atualização, a Prefeitura de Florianópolis não havia informado se pretende adotar medidas administrativas ou buscar a revisão da decisão junto aos órgãos federais. O governo do estado, em manifestações anteriores, já havia sinalizado que poderia recorrer à Justiça caso a regra dos 90% fosse acionada. O caso segue em desdobramento.





















