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Aeroporto Campo Comandantes começa obras de R$ 400 milhões neste sábado e Itajaí terá pista de 1,4 km

A ampliação da pista de pouso e decolagem do aeroporto executivo de Itajaí começa neste sábado (25). A Aruna Urbanismo vai levar os atuais mil metros para 1,4 quilômetro, com 30 metros de largura e balizamento noturno previsto até o fim de 2026.

Projeto do Aeroporto Aruna Campo Comandantes, em Itajaí
Foto: Reprodução
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A pista de mil metros que hoje recebe monomotores e aviões de pequeno porte no interior de Itajaí vira canteiro de obras neste sábado (25). É o primeiro movimento concreto de um plano de R$ 400 milhões que quer transformar o Aeroporto Aruna Campo Comandantes, no bairro Campeche, em um dos principais terminais de aviação executiva do Sul do Brasil.

O que começa agora é a ampliação da pista de pouso e decolagem. Ela sai dos atuais mil metros de comprimento por 18 metros de largura e vai para 1.400 metros de comprimento por 30 metros de largura — 400 metros a mais de asfalto e quase o dobro da largura. Com a obra, o aeródromo passa a ter uma das maiores pistas privadas voltadas exclusivamente à aviação executiva da região Sul.

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Só nessa primeira etapa, o aporte é de cerca de R$ 80 milhões, conforme apurado pelo Valor Econômico. A obra é tocada pela Aruna Urbanismo, incorporadora paranaense que comprou o aeródromo em 2023 e hoje toca o empreendimento ao lado do antigo proprietário.

Projeto prevê pista de 1.400 metros por 30 de largura e um complexo de cerca de 65 hangares às margens do rio Itajaí-Mirim. Foto: Divulgação/Aruna Urbanismo
Projeto prevê pista de 1.400 metros por 30 de largura e um complexo de cerca de 65 hangares às margens do rio Itajaí-Mirim. Foto: Divulgação/Aruna Urbanismo

A diferença que esses 400 metros fazem é operacional. Pista curta limita peso, alcance e porte da aeronave que pode pousar com segurança. Com a ampliação, a expectativa da empresa é que o terminal fique apto a atender todas as classes da aviação executiva — antes, boa parte dos jatos de médio e grande porte simplesmente não tinha como operar ali.

Junto com o asfalto novo vem o balizamento noturno, o sistema de iluminação que permite pousos e decolagens depois do pôr do sol. A estrutura também está sendo preparada para, mais adiante, operar por IFR (regras de voo por instrumentos), tecnologia que permite aproximações mesmo com o tempo fechado e baixa visibilidade — situação corriqueira no litoral catarinense.

Segundo a Aruna Urbanismo, a meta é concluir a ampliação da pista até o fim de 2026 e consolidar o Campo Comandantes como um hub de aviação executiva capaz de puxar negócios para a região.

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Estamos dando um passo importante na consolidação do nosso aeroporto como uma referência nacional para a aviação executiva. Um empreendimento totalmente conectado com o seu entorno, que vai agilizar muito a geração de novos negócios e proporcionar um impacto muito positivo na economia de Santa Catarina

Eduardo Appel, sócio do empreendimento
Área de pátio e hangares projetada para receber jatos executivos; obras da parte de serviços começam em 2027. Foto: Divulgação/Aruna Urbanismo
Área de pátio e hangares projetada para receber jatos executivos; obras da parte de serviços começam em 2027. Foto: Divulgação/Aruna Urbanismo

O que vem depois da pista

A pista é só a abertura. O projeto completo, orçado em R$ 400 milhões ao longo de quatro anos, prevê uma reestruturação inteira do aeroporto. A partir de 2027 entram em obra a área de embarque, uma estrutura hoteleira, um boulevard de serviços e gastronomia e espaço para eventos.

Estão previstas ainda áreas de descanso para pilotos e passageiros e salas de reunião — a lógica de quem usa aviação executiva é aterrissar, resolver e voltar no mesmo dia, e a estrutura em terra costuma ser o gargalo.

O complexo também vai ganhar cerca de 65 hangares. Desses, 50 são lotes destinados à venda dentro do condomínio aeronáutico que já funciona no local. Os outros 15, de maior porte, ficam para locação e para operações do tipo FBO — sigla em inglês para o operador de base fixa, a empresa que faz o atendimento em solo do jato executivo: abastecimento, manutenção, recepção do passageiro na própria aeronave e hangaragem.

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Terminal projetado para a aviação executiva, com recepção do passageiro junto à aeronave. Foto: Divulgação/Aruna Urbanismo
Terminal projetado para a aviação executiva, com recepção do passageiro junto à aeronave. Foto: Divulgação/Aruna Urbanismo

A projeção da incorporadora é de cerca de 700 empregos diretos quando o complexo estiver rodando. “Uma aeronave, ela gera a demanda de funcionários, desde que vai fazer a limpeza, manutenção, é muita gente envolvida em cada aeronave”, disse Raphael Ferreira, sócio da Aruna Urbanismo.

Por que Itajaí

A aposta é de localização. O Campo Comandantes fica a cerca de 15 quilômetros de Balneário Camboriú, a uns 20 quilômetros da zona portuária de Itajaí e a aproximadamente 12 quilômetros da BR-101. Brusque, Blumenau e Guabiruba estão a menos de uma hora de carro. É um raio que concentra porto, indústria têxtil e metalmecânica e o metro quadrado mais caro do país.

A tese comercial é ocupar um espaço que hoje o Aeroporto de Navegantes não atende: o terminal vizinho é voltado prioritariamente à aviação comercial, e o Campo Comandantes se posiciona como complementar, dedicado só ao executivo. Em entrevista ao Valor Econômico, Raphael Ferreira afirmou que boa parte dos executivos da região deixa hoje suas aeronaves paradas no Aeroporto Catarina, em São Roque (SP).

O novo aeroporto será implantado no mesmo local do atual Campo Comandantes, que já opera como condomínio aeronáutico. Foto: Divulgação/Aruna Urbanismo
O novo aeroporto será implantado no mesmo local do atual Campo Comandantes, que já opera como condomínio aeronáutico. Foto: Divulgação/Aruna Urbanismo

O aeródromo opera desde o início da década passada sob o código ICAO SIJY, com autorização da ANAC, no modelo de condomínio aeronáutico — casas com hangar próprio, voltadas sobretudo à aviação recreativa e de pequeno porte. O campo foi criado pela família Appel, e Eduardo Appel, antigo proprietário, permaneceu como sócio depois da venda para a Aruna Urbanismo, negócio estimado em R$ 120 milhões.

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O cronograma agora é o seguinte: a pista ampliada e o balizamento noturno devem ficar prontos até o fim de 2026; a área de embarque, o hotel e o boulevard entram em obra a partir de 2027. As intervenções começam neste sábado (25).

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