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77% dos brasileiros usam IA e poucas empresas aparecem

Pesquisa da Bain aponta que 77% dos brasileiros já usam IA e parte recorre a assistentes para decidir compras, mas a maioria das empresas não aparece nessas respostas.

77% dos brasileiros usam IA e poucas empresas aparecem
Foto: Reprodução
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Sete em cada dez brasileiros já usam inteligência artificial no dia a dia, e uma parte deles recorre a ferramentas como o ChatGPT para decidir o que comprar e qual serviço contratar.

É o que aponta a pesquisa Consumer Pulse 2026, da consultoria Bain & Company, que ouviu 8 mil pessoas no mundo, sendo 2 mil no Brasil.

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Entre os brasileiros, 43% já usam a IA para pesquisar avaliações de produtos e serviços, e as ferramentas mais citadas são o ChatGPT, usado por 79%, e o Gemini, por 65%.

O dado que costuma passar despercebido está do outro lado do balcão.

À medida que o consumidor troca a lista de links do Google por uma resposta pronta da inteligência artificial, a maioria das empresas simplesmente não aparece nessa resposta.

Quem pergunta a um assistente qual contador procurar, onde fazer um exame ou qual loja resolve um problema recebe algumas indicações, e boa parte dos negócios locais fica de fora dessa conversa sem nem perceber.

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Da lista de links para a resposta única

Durante duas décadas, aparecer no Google significou disputar as primeiras posições de uma lista de links. O usuário clicava, comparava e decidia. A busca com inteligência artificial muda essa lógica.

Em vez de dez links, o assistente entrega uma resposta única, com poucas recomendações, e é a partir dela que o consumidor segue.

Isso reduz o espaço disponível. Onde antes cabiam vários negócios na primeira página, agora cabem apenas os poucos que a IA escolhe citar.

A pesquisa da Bain mostra que a intenção de compra já está migrando para esse ambiente: 60% dos consumidores se dizem abertos a usar inteligência artificial em algum tipo de compra, com destaque para eletrodomésticos, casa e decoração e cuidados pessoais.

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Por que a maioria das empresas está invisível?

O motivo raramente é a falta de qualidade do negócio. É falta de informação organizada de um jeito que a máquina entenda.

Os sistemas de inteligência artificial montam suas respostas a partir de conteúdo público, claro e consistente sobre cada empresa: o que ela faz, onde atende, para quem, com que diferenciais.

Quando essa informação não existe, está espalhada ou se resume a um site institucional genérico, o negócio não entra na resposta.

Essa transformação não é exclusiva do consumidor final. A inteligência artificial já reorganiza rotinas dentro das companhias, como mostra a reportagem sobre como a IA vem transformando as áreas corporativas, das finanças ao marketing.

A diferença é que, na relação com o cliente, ficar de fora custa oportunidade de venda direta.

O que diz quem trabalha com o tema

A empresa que sempre confiou no boca a boca e num site parado corre o risco de sumir da recomendação sem ter feito nada de errado. A IA não deixa de citar por má vontade, ela deixa de citar porque não encontra informação suficiente para confiar

afirma Lucas Ferraz, especialista em SEO e em otimização para inteligência artificial e fundador da agência Lucas Ferraz SEO, de Belo Horizonte.

Para Lucas, o trabalho que prepara um negócio para os assistentes é uma evolução do que já se fazia para o Google. “Não é criar um site bonito e esperar. É estruturar cada serviço em uma página própria, com respostas às perguntas reais do cliente, e manter os dados da empresa consistentes no site, no mapa e nas redes. É isso que a IA lê antes de recomendar”, explica.

Ele observa que a janela de vantagem é temporária. Enquanto a maioria das empresas ainda não se moveu, quem organiza a presença digital agora ocupa um espaço que depois ficará disputado. “Daqui a algum tempo isso vira obrigação, como ter site virou. Quem chega antes colhe a indicação enquanto o concorrente ainda nem descobriu que ela existe”, diz.

O peso disso para o comércio e os serviços catarinenses

Em Santa Catarina, onde o comércio e os prestadores de serviço movimentam boa parte da economia das cidades, o efeito é concreto.

Um restaurante, uma clínica ou uma loja que não aparece quando o cliente pergunta à IA perde para o concorrente que aparece, mesmo que seja melhor no atendimento presencial.

A própria imprensa regional sentiu o movimento cedo. O Jornal Razão foi selecionado pelo Google para um projeto de inteligência artificial, sinal de que a tecnologia deixou de ser assunto distante e passou a moldar como o conteúdo e as marcas locais são encontrados.

Para o pequeno e médio negócio, a lição é a mesma: estar presente de forma organizada no ambiente digital deixou de ser diferencial e virou condição para ser lembrado.

Como uma empresa passa a ser citada pela inteligência artificial?

Não existe atalho pago para entrar nas respostas da IA, e é isso que torna o trabalho acessível a quem se organiza.

Alguns pontos concentram o resultado:

  • Clareza sobre o que a empresa faz, com uma página para cada serviço em vez de uma descrição genérica na página inicial;
  • Respostas objetivas às dúvidas que o cliente realmente digita, escritas em linguagem simples;
  • Dados de contato, endereço e área de atendimento iguais em todos os canais, para a máquina não ficar em dúvida sobre qual informação é a correta;
  • E prova de que o negócio é real e confiável, com avaliações, registros profissionais e conteúdo próprio.

São critérios que, somados, transformam um site em uma fonte que o assistente entende e cita.

A lógica se aproxima da que já vale para aparecer bem no Google, agora aplicada a um ambiente em que a resposta é única e o espaço, mais estreito.

Conclusão

A pesquisa da Bain deixa pouca margem para dúvida: a inteligência artificial já faz parte da decisão de compra do brasileiro, e essa participação tende a crescer.

A pergunta que cada empresa precisa se fazer não é mais se vale a pena estar no digital, e sim se está organizada o suficiente para ser encontrada quando o cliente perguntar à máquina, e não mais só ao Google.

Para quem depende de ser lembrado na hora da escolha, essa diferença já começou a separar quem cresce de quem, aos poucos, some da conversa.

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